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Ibovespa cai com aversão a risco por chance maior de Fed subir juro em 2026

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A comunicação mais dura do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) somada ao fato de que até o presidente dos EUA, Donald Trump, - usualmente crítico a juros elevados - admitiu a possibilidade de que pode haver alta nos juros dos Estados Unidos este ano dizimou qualquer sinal de apetite a risco nos mercados globais. O Ibovespa passou a cair nesta tarde e atingiu o menor nível intradia desde 21 de janeiro, com o fluxo estrangeiro indo para os títulos dos Treasuries, considerados os mais seguros do mundo.

A decisão do Fed de manter a taxa básica de juros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano era amplamente esperada por analistas consultados pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado). A surpresa veio mesmo no fato de que o indicado por Trump não teve uma postura mais leniente com a inflação.

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Na primeira reunião no comando do Fed, Kevin Warsh fez uma ampla reformulação de comunicado, adotando um texto mais enxuto. Apesar de ter eliminado o guidance, os dirigentes mencionaram explicitamente o conflito no Oriente Médio como um dos fatores de pressão econômica e elevaram previsões de inflação e da trajetória dos juros futuros. Na esteira, o mercado antecipou de dezembro para outubro a aposta de aperto monetário pela maior economia do mundo, segundo a plataforma de monitoramento CME Group.

Durante a coletiva de imprensa, Warsh reforçou que o banco central americano buscará corrigir o fato de a inflação estar acima da meta de 2% há cinco anos. Acrescentou, ainda, que não vê motivo para rever a meta até que a inflação tenha atingido 2%.

"O Fed teve tom mais duro do que o mercado esperava. Como Trump trocou o presidente do Fed após críticas à política monetária, muitos pensavam que iriam colocar alguém com perspectiva mais branda, dovish. Mas não foi o que vimos na coletiva de imprensa. Warsh teve um tom duro", comenta o sócio da One Investimentos, Pedro Moreira.

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A economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos, Marcela Kawauti, considera que a comunicação do Fed "reforçou de forma explicita que o comitê irá perseguir a estabilidade de preços".

Com o Fed tendo postura mais contracionista, o efeito no mercado é de retração no apetite por risco, enfatiza o head de renda variável da Fami Capital, Gustavo Bertotti, destacando que o comportamento do Ibovespa está muito dependente do fluxo estrangeiro. "Os títulos americanos são os mais seguros do mundo, ainda mais nos patamares de juros elevados. Então isso também pode levar a uma migração do fluxo para esses títulos", comenta.

Apesar de iniciarem o dia em queda, os rendimentos de 2 e 10 anos passaram a subir fortemente nesta tarde. Na avaliação da Capital Economics, as projeções do Fed apontam para um risco "claro" de aumento das taxas de juros ainda neste ano.

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O mercado aguarda, ainda, decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC a partir das 18h30. A maioria espera corte de 0,25 ponto porcentual na Selic, mas os efeitos de segunda ordem do choque de energia e a deterioração das expectativas de inflação impõem incertezas quanto à continuidade do ciclo de calibração nas próximas reuniões, mostra pesquisa Projeções Broadcast.

O head de renda variável da AVIN, Gustavo Gomes, nota que a curva de juros basicamente não precifica cortes de juros intensos até 2040, o que é prejudicial para a renda variável. Isso porque juros mais elevados deterioram o resultado de empresas da Bolsa, principalmente a de ações consideradas mais relacionadas ao ciclo doméstico.

Como pano de fundo, segue a novela em relação ao conflito no Oriente Médio, com informações destoantes sobre assinatura de um acordo entre Estados Unidos e Irã. Além disso, investidores focam em pesquisas eleitorais e perspectiva fiscal no Brasil.

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Após mínima aos 167.915,71 pontos (-1,02%) à tarde e máxima aos 171.878,23 (+0,56%) pela manhã, o Ibovespa fechou em baixa de 0,70%, aos 168.453,93 pontos, com giro financeiro de R$ 28,86 bilhões. As ações cíclicas, como Natura (-8%) foram destaque de queda, com o índice também sem auxílio da Vale (-2%), enquanto bancos e Petrobras operaram mistos.

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