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Ibovespa cai com aversão a risco global e cautela pré-segundo turno

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As tensões no Oriente Médio suscitaram uma aversão ao risco global que contaminou o Ibovespa nesta quinta-feira, 22. Na véspera, o índice já havia recuado por conta da disputa eleitoral mais acirrada, e o investidor seguiu evitando posições mais arriscadas a poucos dias do segundo turno. Depois do fechamento, destaque para pesquisa Datafolha e balanço do Bradesco.

Com o petróleo Brent a US$ 113 por barril, após alta de 4% no pregão, retoma-se a leitura de que os juros globais ficarão mais altos por mais tempo, prejudicando alocações para a renda variável. Em Nova York, os índices recuaram em bloco e o Nasdaq tombou 2,60% depois de o balanço da Meta reacender preocupações com gastos em Inteligência Artificial (IA).

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O Ibovespa fechou em queda de 1,15%, aos 204.120,12 pontos e com giro financeiro de R$ 25,8 bilhões. Com a baixa desta quinta, passa a ceder 0,64% na semana e reduz alta de outubro a 9,54%. Entre as blue chips, Bradesco PN (-2,08%) liderou a queda em bloco do setor financeiro, enquanto Vale (-3,97%) e Petrobras ON (-0,03%) não ajudaram o índice. Na esteira do ganho da commodity, Petrobras PN conseguiu subir 0,14%.

Para Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, a combinação de tensão eleitoral e choque externo ajuda a explicar a piora do humor. "A bolsa cai hoje quinta-feira por diversos fatores. Temos uma tensão eleitoral pré-segundo turno com os candidatos muito próximos nas pesquisas e uma aversão ao risco vinda do mercado internacional, que contamina a Bolsa brasileira", avalia.

Nesta quinta a pesquisa Indexa/Broadcast mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) - visto pelo mercado financeiro como mais fiscalista - com 45,2% das intenções de voto, ante 44,1% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em simulação estimulada de segundo turno. Em relação à rodada anterior, Flávio oscilou 1,6 ponto porcentual para cima, enquanto Lula avançou 2 pontos porcentuais. Já a PoderData/Aya indicou o senador com 49% das intenções de voto totais, e Lula de 46% para 48%.

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O estrategista-chefe da Krivo Capital, Marco Saravalle, considera que o movimento do dia teve mais relação com o contágio externo, pois as pesquisas eleitorais não trouxeram grande novidade. "Ninguém quer tomar decisão a dois dias úteis da eleição, com base no que tem sido visto nas pesquisas. O cenário externo acaba sendo decisivo para apontar a direção da Bolsa hoje", menciona.

Operadores de renda variável têm indicado que o cenário-base para a eleição segue sendo a vitória do senador do PL. Contudo, dados da B3 compilados pela Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) mostram que o mercado de opções passou a mostrar aumento expressivo de proteção desde o fim do primeiro turno, caso esse cenário não se concretize. A demanda por hedge via opções de venda (puts) subiu mais de 90% entre o fechamento de 5 de outubro (primeiro pregão após o primeiro turno) e 20 de outubro.

No noticiário corporativo, o mercado aguarda o balanço do Bradesco, que será divulgado após o fechamento. Conforme o Prévias Broadcast, o banco deve apresentar lucro de R$ 7 bilhões no terceiro trimestre, alta anual de 14%.

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