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Ibovespa cai 0,81%, a 176,2 mil, com foco em eleição e exterior; na semana queda é de 0,61%

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O Ibovespa conseguiu acomodar as perdas abaixo de 1% no fechamento da sessão desta sexta-feira, 22, acima dos 176 mil, após ter flertado mais cedo com o nível dos 174 mil pontos na mínima do dia. Apesar da contenção do ajuste, e de ter registrado alta nas duas sessões anteriores, o índice da B3 não evitou nova retração na semana, agora de 0,61%. Foi a sexta semana consecutiva no campo negativo, em intervalo que retrocede a meados do mês passado, logo após ter renovado recordes em 14 de abril.

Desde então, no agregado de 26 sessões, o Ibovespa registrou alta em apenas oito - ou seja, em menos de um terço delas. Nesta sexta, oscilou entre 174.893,37 e 177.648,58 pontos, em máxima do dia correspondente ao nível de abertura.

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Ao fim, marcava 176.209,61 pontos, em baixa de 0,81% na sessão, com giro moderado a R$ 21,0 bilhões. Em maio, o Ibovespa recua 5,93%, limitando o avanço do ano a 9,36%.

O novo presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Kevin Warsh, foi empossado nesta sexta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que Warsh irá restaurar a confiança no BC americano. "Crescimento econômico não significa alta da inflação", disse Trump.

Ao falar, Warsh disse não ser "ingênuo quanto aos desafios que enfrentamos". "Inflação pode ser mais baixa e crescimento forte", acrescentou. "Vou liderar um Fed voltado para reformas institucionais."

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Um pouco mais cedo, falas do diretor do Federal Reserve Christopher Waller haviam reforçado a possibilidade de juros mais altos por mais tempo nos Estados Unidos, o que - somado ao efeito negativo decorrente da leitura de dados da Universidade de Michigan, com piora da confiança do consumidor e alta das expectativas de inflação - elevavam, no começo da tarde, os juros futuros no Brasil e no exterior.

Em Nova York, ainda assim, os principais índices de ações subiram 0,58% (Dow Jones), 0,37% (S&P 500) e 0,19% (Nasdaq) nesta sexta-feira.

Na B3, nomes do setor metálico se desgarraram da correção, o que incluiu ao fim Vale (ON +0,57%), além de Gerdau (PN +2,17%) e, em especial, CSN (ON +6,15%) e Usiminas (PNA +5,61). Mas o dia foi majoritariamente negativo para outros carros-chefes, como Petrobras (ON -0,30%, PN -1,05%) e bancos (Itaú PN -1,72%, Santander Unit -1,78%, Bradesco ON -0,96% e PN -1,56%). O dólar fechou em alta de 0,54%, na casa de R$ 5,02.

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Na ponta ganhadora do Ibovespa, além de CSN e Usiminas, destaque também para Azzas (+3,86%). No lado oposto, Minerva (-6,20%), MBRF (-4,05%) e Cyrela (-3,93%).

No front doméstico, o destaque foi a divulgação, no período da tarde, de pesquisa Datafolha que mostrou perda para o mais bem colocado candidato da oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após a revelação de recursos destinados por Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, ao filme Dark Horse (ou "Azarão", em livre tradução do inglês) sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Apesar da retração de Flávio neste levantamento, ele segue em empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que foi interpretado por correligionários do senador como um sinal de que a campanha dele não está a ponto de "derreter" e segue competitiva, diferentemente do que previam analistas políticos em um primeiro momento.

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"Mesmo sob forte ataque nos últimos 7 dias, nosso pré-candidato a presidente, Flávio Bolsonaro, mostra no Datafolha de hoje que permanece variando dentro da margem de erro; continua plenamente viável e altamente competitivo", escreveu em suas redes sociais o deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do PL na Câmara. Para Sóstenes, o resultado mostra Flávio ainda viável na disputa, mesmo após a revelação das conversas entre o senador e Vorcaro.

"Se na semana passada o risco eleitoral entrou em cena de forma mais intensa, nesta o mercado seguiu navegando em dois fronts ao mesmo tempo: o vai e vem das negociações entre Estados Unidos e Irã e a reconfiguração do cenário político doméstico", diz Bruna Sene, analista de renda variável da Rico. "E o Ibovespa encerrou o período pressionado pela combinação de cenário externo volátil, juros globais em alta e aumento da incerteza política doméstica", acrescenta.

Nesse contexto, marcado por elevação da incerteza em diferentes frentes, o mercado parece mais dividido quanto ao desempenho potencial da Bolsa brasileira na próxima semana. Na edição desta sexta do Termômetro Broadcast Bolsa, a parcela dos profissionais que espera queda do Ibovespa e estabilidade é a mesma: 42,86% cada. E apenas 14,29% esperam alta para o principal índice da B3 na semana que vem.

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Considerando a geopolítica do petróleo, e o conflito iniciado há quase três meses por EUA e Israel contra o Irã, que afetou a passagem da commodity pelo Estreito de Ormuz, "as incertezas em relação à inflação global e às trajetórias de juros acabam afetando, principalmente, mercados emergentes como o Brasil, que tendem a se tornar relativamente menos atrativos em um ambiente de juros mais altos nas economias desenvolvidas", aponta Jucelia Lisboa, economista e sócia da Siegen.

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