Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--
Economia
publicidade
ECONOMIA

'Governo tem bala de R$ 2 tri contra especulação', diz economista 'pai' da LRF

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

Em entrevista ao Estadão, o economista José Roberto Afonso diz que o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva não precisa de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para pagar o Auxílio Brasil de R$ 600 a partir de janeiro. Afonso, um dos "pais" da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), acrescenta que há uma tensão exagerada no mercado e avisa: o governo que entra tem "bala" de R$ 2 trilhões para enfrentar a "especulação indevida de curtíssimo prazo" em torno de um risco fiscal no novo governo. Para ele, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, tem de dizer ao mercado que o governo está entrando com um caixa de 17% do PIB. "Espero que tenha sido um momento de amnésia temporária. Já que não tem ministro da Fazenda, ele (Campos) tenha se confundido e esquecido que é presidente do BC." Veja os principais trechos da entrevista:

Como avalia as negociações em torno da PEC da Transição?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Associe sua marca ao jornalismo sério e de credibilidade, anuncie no TNOnline.

O Brasil está vivendo não uma fase de transição, mas de travessia. Transição é quando só mudam as pessoas, e o Brasil vai mudar de ares. Tem a travessia política que é muito importante. O pessoal da economia está muito nervoso, ansioso, e não compreendendo esses tempos.

Mas foi o governo eleito que decidiu apresentar uma PEC da Transição.

Vamos ser francos, o menos relevante é a parte fiscal. O que está sendo decidido com a PEC, antes de tudo, é a sucessão na Câmara e no Senado. É muito mais o Congresso se oferecendo e pedindo para mandar uma PEC do que o novo governo, em si, necessitando de uma PEC.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O governo eleito caiu, então, numa armadilha?

O que está comandando as decisões não é a questão fiscal. Não é ainda governo. Quem tem de lidar se o mercado está nervoso, se isso vai afetar a gestão da dívida, é o Ministério da Economia e o Banco Central. Se há alguma tensão além do normal, cabe ao BC gerir o câmbio e cabe à mesa da dívida do Tesouro administrar.

Está sendo gestada uma crise econômica?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Não vejo chance de ter uma crise quando o País conta com o volume de reservas cambiais que tem. E quero alertar: o caixa do Tesouro em reais é igual ao volume de reservas. O Tesouro tem um caixa de 17% do PIB. Não consigo entender como um governo que tem um caixa desse tamanho possa ter crise.

Como o BC poderia ajudar mais o Tesouro?

O Tesouro é o maior player. O BC ajuda alertando o mercado. Se o BC agir como o mercado financeiro, olhando só o curto prazo, e não o médio e longo prazos, vai ter prejuízos. Eu acho que está esperando definições. Cabe ao BC, sim, alertar o mercado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Mas o presidente do BC, Roberto Campos Neto, tem apontado ao mercado os riscos fiscais e mostrado preocupação com as negociações da PEC.

Espero que tenha sido um momento de amnésia temporária. Já que não tem ministro da Fazenda, ele tenha se confundido e esquecido que ele é presidente do BC. Era bom alertar que, nessa transição, vai ter um governo que está entrando com caixa de 17% do PIB. A dívida pública é alta, mas o caixa é muito alto. O governo tem bala de algo de R$ 2 trilhões para enfrentar especulação indevida de curtíssimo prazo em torno do risco fiscal.

Como avalia o andamento da transição?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Acho que o governo tem instrumentos para enfrentar a emergência social sem precisar de PEC. Se não aprovar a PEC, insisto, tem como o governo usar instrumentos legais e constitucionais. O teto já tem uma exceção para usar crédito extraordinário.

Qual o argumento legal para uso do crédito extraordinário?

O que motiva o crédito extraordinário: guerra, calamidade pública e comoção interna. Essa fome é comoção interna. Eu prefiro muito mais o crédito extraordinário do que a PEC, porque é para resolver aquilo ali e é temporário. Emergência e imprevisibilidade estão postas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

E se o Congresso não aprovar o Orçamento de 2023 até o fim do ano?

Dá para contar nos dedos os anos em que o Orçamento foi aprovado no ano anterior. E tem regras previstas na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) para funcionamento do governo. Estão dadas as condições para o governo enfrentar a calamidade pública que é a fome.

A desconstitucionalização das regras fiscais será necessária?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Nenhum país aprova tanta emenda constitucional como no Brasil, e se judicializou toda a matéria que ela trata. O que aconteceu com o fiscal e nas finanças públicas é o retrato da falência do governo. Um governo que não governa, e um Congresso que passou a governar por emenda constitucional para tratar das grandes questões quando lhe interessa ou não, e por emenda parlamentar secreta. É o único país do mundo que tem orçamento público com dotação secreta. Isso é retrato da falência do Executivo. Não pode continuar isso.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email
Adicionar como fonte preferida no Google

Últimas em Economia

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV