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Fechamento câmbio: Dólar sobe 1,15% com expectativa por Datafolha e 'tarifa zero' de Lula

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Em alta firme desde o início dos negócios, na contramão do comportamento da moeda americana no exterior, o dólar renovou máximas na reta final do pregão e encerrou o dia perto do nível de R$ 5,10, no maior valor de fechamento desde a última sessão antes do primeiro turno da eleição presidencial.

Operadores e analistas ouvidos pela Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) atribuíram a arrancada da moeda americana a uma postura defensiva dos investidores diante da expectativa pela divulgação da pesquisa Datafolha, a partir das 18h30, que pode trazer crescimento das intenções de voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A vitória da oposição é vista como fundamental para uma mudança na política fiscal a partir de 2027.

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Houve também menção a notícia de que Lula pode prometer "tarifa zero" para o transporte público aos fins de semana e feriados em eventual quarto mandato, segundo fontes ouvidas pelo Estadão. Avalia-se que a campanha do petista ganhou fôlego após as manifestações no fim de semana e a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1.

"Parece haver um pessimismo de fim de pregão antes da divulgação do Datafolha. O mercado passou o dia todo preocupado com a possibilidade de crescimento das intenções de voto em Lula", afirma o estrategista-chefe do Sincra, Gustavo Cruz, mencionando que a promessa de "tarifa zero" pode dar impulso adicional à candidatura do presidente.

Após tocar a máxima a R$ 5,0983, o dólar à vista terminou em alta de 1,15%, a R$ 5,0868 - maior valor de fechamento desde 2 de outubro (R$ 5,2165). Embora tenha avançado nos últimos três pregões, a moeda americana ainda recua 1,70% frente ao real no mês, fruto do rali desencadeado pela surpreendente dianteira de Flávio na corrida presidencial. No ano, as perdas são de 7,33%.

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"O movimento do câmbio nesta quinta é majoritariamente doméstico e eleitoral, com as pesquisas tirando parte do conforto que o mercado vinha precificando", afirma o especialista de câmbio Guilherme Casa Grande, da Manchester Investimentos, ressaltando que a moeda brasileira era sustentada pelo juro real elevado e pela expectativa de alternância de poder. "Esse segundo fator fica em xeque quando as pesquisas apertam. O câmbio passa a oscilar a cada nova sondagem."

Levantamento da Quaest sobre intenções de voto para o segundo turno, divulgado na noite de quarta, mostrou Flávio Bolsonaro com 46% contra 44% de Lula - quadro de empate técnico. Pesquisa Indexa/Broadcast trouxe resultado similar. O candidato do PL aparece com 44%, dois pontos porcentuais acima do petista (42%).

A Hedgepoint Global Markets avalia, em nota, que parte da demanda por dólar ao longo da tarde reflete uma busca por hedge (proteção) antes da divulgação da pesquisa Datafolha e não aponta para uma tendência da taxa de câmbio. A pressão sobre o real é doméstica, com peso da pesquisa da Quaest mostrando empate técnico e aprovação da PEC que acaba com a escala 6x1, observa.

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"As chances de Lula vencer são baixas, mas aumentaram nos últimos dias. Se ele vencer, a melhora observada nos ativos brasileiros será perdida e o grande movimento do câmbio será para cima", afirma José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos, cujo modelo aponta queda do dólar em direção a R$ 4,80 em caso de vitória de Flávio.

Lá fora, o índice DXY - que mede o comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes - operou em queda ao longo do dia e recuava 0,53% por volta das 17h, aos 102,015 pontos. Apesar da leitura bem acima da expectativa para o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) em setembro, não houve aumento considerável das chances de alta dos juros pelo Federal Reserve em outubro, segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group. As apostas majoritárias são de retomada do aperto monetário em dezembro.

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