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Em carta, governo cita indignação e cobra resposta dos EUA sobre taxa

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O governo enviou aos Estados Unidos uma nova carta na qual cobra respostas sobre uma proposta de negociação e manifesta "indignação" com as tarifas de 50% anunciadas na semana passada. O documento é assinado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), e pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

A carta foi enviada na terça-feira, 15, por via diplomática. A embaixada do Brasil em Washington encaminhou o documento ontem para as autoridades do governo Trump. Os destinatários são o secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, e o representante comercial (USTR) dos EUA, Jamieson Greer.

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Alckmin afirmou que, dois meses atrás, enviou uma carta com uma proposta de negociação sobre as tarifas até então anunciadas, de 10% sobre o Brasil, cujos termos foram mantidos confidenciais. Porém, o governo americano jamais respondeu.

O vice-presidente e o chanceler alteraram a versão anterior da carta, em que citavam questões de soberania e respeito à separação de poderes no Brasil.

Agora, restringiram o teor a questões comerciais, como o superávit dos EUA na balança com o Brasil. Eles pedem a retomada do "diálogo técnico", com negociadores comerciais e diplomáticos de Brasil e EUA. A última rodada de conversas ocorreu em 4 de julho, segundo o governo brasileiro.

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Apesar do apelo dos exportadores ouvidos no Mdic para que o governo tentasse postergar o tarifaço de 50% por 90 dias, Alckmin e Vieira não solicitam extensão de prazo ao governo Trump. As tarifas valerão a partir de 1.º agosto.

Segundo diplomatas, os americanos afirmaram que Trump decidiu adotar as tarifas de 50% sem comunicar antes a decisão a suas autoridades de comércio exterior.

"Queremos negociação. O bom é que se resolva nos próximos dias", afirmou Alckmin, ontem após reunião com o presidente da Câmara Americana de Comércio para Brasil (Amcham Brasil), Abrão Neto, na sede do Mdic. "Se houver necessidade nessa negociação de prorrogar (o prazo para início das tarifas), não vejo problema."

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Política

Enquanto o governo brasileiro tenta afastar o ingrediente político das negociações, o presidente americano voltou nesta quarta, 16, a defender Jair Bolsonaro - um dos argumentos usados para taxar o Brasil foi o julgamento por tentativa de golpe de Estado enfrentado pelo ex-presidente. "Conheço Bolsonaro e acredito que ele seja um homem honesto."

Também ontem, a Embaixada dos EUA no Brasil criticou a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso chamando a Corte em rede social de "Supremo Tribunal de Moraes" ao se referir ao ministro Alexandre de Moraes, que conduz a ação contra Bolsonaro. (COM FLÁVIA SAID E MARIA MAGNABOSCO)

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As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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