Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--
Economia
publicidade
ECONOMIA

Durigan diz que Brasil não pode continuar com a maior taxa de juros do mundo

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

Mesmo reconhecendo que o quadro fiscal influencia a taxa de juros, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o Brasil não pode continuar com a maior taxa do mundo. A declaração foi dada em entrevista à revista piauí, concedida no dia 26 de agosto e divulgada nesta terça-feira, 15, dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central começou a primeira etapa da reunião que vai decidir sobre a Selic.

Pesquisa Projeções Broadcast publicada na sexta-feira, 11, indica que a ampla maioria das instituições do mercado financeiro projeta um novo corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic neste encontro, de 14,00% ao ano para 13,75%. Entre 78 casas consultadas, 75 apostam nesse cenário; enquanto outras três instituições estimam manutenção da taxa no nível atual.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Associe sua marca ao jornalismo sério e de credibilidade, anuncie no TNOnline.

"O debate não pode se limitar à ideia de que os juros estão altos apenas porque o governo gasta muito. Reconheço que o quadro fiscal influencia a taxa, mas ele não explica tudo. Se ficarmos presos a esse argumento, só teremos juros baixos quando o Estado definhar, o que não é viável", sustentou Durigan à revista. "Precisamos encontrar um equilíbrio que preserve o papel do Estado e permita a redução dos juros. O Brasil não pode continuar com a maior taxa de juros do mundo."

Ele citou como exemplo o México, que, segundo ele, tem grau de investimento, não possui uma situação orçamentária muito melhor que a brasileira e, ainda assim, pratica juros bem menores, de 6,5%.

Para o titular da Fazenda, o patamar dos juros brasileiros se deve a várias razões. Ele argumentou que no Brasil a negociação de títulos públicos fica mais concentrada em poucos bancos. Segundo ele, também há um componente histórico e cultural: o brasileiro se acostumou aos juros altos e valoriza a remuneração elevada oferecida por aplicações como CDB, renda fixa, poupança e títulos do Tesouro, enquanto em outros países, esses investimentos costumam render bem menos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Além disso, ele argumentou que muitos produtos financeiros brasileiros estão vinculados a taxas elevadas, enquanto o mercado de capitais e a bolsa permanecem concentrados, com poucas opções e acesso pouco democratizado ao crédito. Durigan também citou a falta de credibilidade fiscal de longo prazo, com dúvidas sobre a capacidade do País de manter o orçamento equilibrado, evitar aventuras econômicas e estabilizar a dívida nos próximos anos.

Na entrevista, Durigan ainda comentou as reações ruins do mercado financeiro a um eventual novo governo Lula (PT). "Na prática, os resultados entregues pelo presidente são muito diferentes dos temores anunciados", defendeu. "Em seus oito anos de governo - Lula 1 e Lula 2 -, ele gerou superávit, acumulou reservas internacionais, manteve a inflação sob controle e promoveu um crescimento expressivo, com participação de todos. O mercado financeiro lucrou muito, e o agronegócio também cresceu."

E completou: "Sob a perspectiva da Fazenda, fizemos e aprovamos muita coisa no Congresso. Digo ao próprio mercado que eu gostaria de ter realizado um ajuste mais rápido, mas somos democratas e negociamos cada medida com o Congresso, com enorme dificuldade. Ainda assim, fizemos um ajuste equivalente a 2% do PIB no orçamento. Vamos repetir esse esforço. Será fácil? Claro que não. Mas vamos fazer novamente".

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Questionado sobre a reação de Lula às críticas do mercado e do empresariado, Durigan respondeu que o presidente costuma responder que não se pode entrar nesse jogo de ressentimento. O ministro ainda afirmou que não se pode ignorar a força do mercado para desvalorizar a moeda e os ativos brasileiros, como os títulos do Tesouro e as ações de empresas como Petrobras, Banco do Brasil e Vale.

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email
Adicionar como fonte preferida no Google

Últimas em Economia

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV