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Dólar tem leve queda na contramão do exterior, mas segue acima de R$ 5,20

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Após trocas de sinal ao longo da tarde, o dólar se firmou em leve baixa frente ao real nas últimas horas do pregão, em sintonia com a desaceleração da alta da moeda norte-americana e do retorno dos Treasuries de longo prazo, na esteira de declarações mais amenas de um dirigente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).

Apesar da expectativa pela realização do primeiro turno da eleição presidencial no próximo domingo, 4, a dinâmica da formação da taxa de câmbio parece ter sido ditada pelo exterior.

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Pela manhã, quando a maioria das divisas emergentes se apreciava, o dólar furou o piso de R$ 5,20, registrando mínima de R$ 5,1975. A virada para o campo positivo no início da tarde veio em meio às máximas da moeda lá fora, com pico de R$ 5,2416.

Com o alívio na reta final dos negócios, o dólar à vista terminou a sessão em baixa de 0,18%, a R$ 5,2170. A moeda norte-americana acumula ganhos de 0,71% em setembro, depois de valorização de 2,16% em agosto.

O real tem, contudo, perdas bem inferiores às de outras divisas latino-americanas no mês, o que é atribuído em grande parte à percepção de aumento das chances de vitória da oposição na disputa pelo Palácio do Planalto e, por tabela, de mudança da política fiscal.

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O gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, observa que, além da questão eleitoral, há movimentos técnicos típicos de fim de mês que adicionam volatilidade ao câmbio, como a rolagem de contratos no segmento futuro e a preparação para a disputa, na quarta-feira, em torno da última formação da taxa Ptax de setembro.

"Estamos tentando nos descolar da tendência do dólar lá fora, mas sem muita convicção. O mercado já parece mais cauteloso à espera da eleição", afirma Galhardo, que vê possibilidade de apreciação do real caso o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, termine o primeiro turno poucos pontos porcentuais à frente de Flávio Bolsonaro. "Podemos ver o dólar se acomodar temporariamente nos R$ 5,10. Se Flávio for eleito, a taxa de câmbio deve ir para R$ 4,90, com um piso em R$ 4,50."

Pela manhã, pesquisa Atlas/Bloomberg trouxe Lula com 45,3% contra 42,2% de Flávio em simulação de primeiro turno, o que configura um empate técnico. Já em um eventual segundo turno, o candidato do PL tem 47,7% das intenções de voto, ao passo que o petista aparece com 47,6%.

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Lá fora, o índice DXY - referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis divisas fortes - subia cerca de 0,21% por volta das 17h, aos 101,410 pontos, após máxima aos 101,612 pontos. As taxas dos Treasuries longos reduziram o ritmo de alta, e o retorno da T-note de 2 anos virou para o negativo no fim da tarde, na esteira de comentários do presidente do Federal Reserve (Fed) de Nova York, John Willians. Ele que afirmou que "não há urgência" em apertar a política monetária, embora veja mais uma alta de juros neste ano.

Os indicadores norte-americanos divulgados pela manhã - abertura de postos de trabalho (relatório Jolts) em agosto e o índice de confiança do consumidor em setembro, pelo Conference Board - vieram abaixo das expectativas. Na quarta, sai o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) de agosto, medida de inflação preferida pelo Fed. Na sexta-feira, 2, é divulgado o relatório de emprego (payroll) de setembro.

"A leitura do Jolts veio um pouco abaixo das expectativas, mas o DXY não reagiu muito. O mercado aguarda indicadores de inflação e de atividade nos próximos dias, que têm potencial maior de movimentar as curvas de juros e o dólar", afirma o especialista em câmbio Nicolas Gomes, da Manchester Investimentos.

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