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Dólar tem leve alta com exterior na véspera de decisões de Fed e Copom

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Após trocas de sinal pela manhã, o dólar passou à tarde em leve alta frente ao real, em linha com o sinal da moeda norte-americana no exterior. As cotações do petróleo acentuaram os ganhos ao longo da segunda etapa do pregão, com o Brent voltando a se aproximar da marca de US$ 110, o que amplia os riscos inflacionários na véspera da decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).

A troca de farpas entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em sessão que avalia a possível abertura de investigações contra o ministro Alexandre de Moraes no caso do Banco Master, foi acompanhada de perto por investidores e trouxe desconforto, mas não foi determinante para a formação da taxa de câmbio.

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"O mercado está em compasso de espera porque ainda há muitas dúvidas sobre qual vai ser o desfecho da reunião do STF, que pode se refletir nos preços dos ativos se tiver impacto nas expectativas para a eleição", afirma o estrategista-chefe da EPS Investimentos, Luciano Rostagno.

Depois de oscilar entre mínima de R$ 5,1270 e máxima de R$ 5,1626, o dólar à vista encerrou a terça-feira em alta de 0,14%, a R$ 5,1551. A moeda norte-americana sobe 0,58% frente ao real nos dois primeiros pregões desta semana, mas ainda recua 0,48% em setembro, após valorização de 2,16% em agosto. No ano, as perdas são de 6,08%.

A sessão plenária do STF sobre Moraes foi marcada por atritos entre ministros. Decano da Corte, Gilmar Mendes acusou André Mendonça de ter motivações políticas ao retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou troca de mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro. Mendonça rebateu e disse que Gilmar estava "sendo leviano". Os ministros Dias Toffoli e Nunes Marques se declararam impedidos de avaliar o caso.

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Rostagno lembra que a crise no STF, em especial as acusações contra Moraes, parece ter impulsionado a candidatura de Flávio Bolsonaro, o que teria aberto espaço para a recuperação do real em setembro, após o tombo de agosto. A oposição é vista pelos investidores como mais inclinada a promover um ajuste fiscal robusto.

"As últimas pesquisas mostraram que Flávio está em um momento positivo, o que ajudou o real. Além disso, a alta do petróleo, embora traga preocupações com a inflação, favorece os termos de troca. Isso ajuda a manter a moeda comportada mesmo com o aumento da percepção de risco", afirma o estrategista-chefe da EPS.

Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY avançava 0,26% por volta das 17h, aos 99,637 pontos, após máxima aos 99,687 pontos. O Dollar Index sobe 0,55% na semana, marcada por nova arrancada dos preços do petróleo, com o Brent acumulando ganhos de quase 20% no mês.

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O provável desfecho da superquarta - uma alta de 0,25 ponto porcentual nos juros pelo Fed e um novo corte de 0,25 ponto da taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) - é, em tese, negativo para o real por reduzir o chamado diferencial de juros e, por tabela, a atratividade do carry trade.

"Com a expectativa de menor diferencial entre juros locais e externos ao longo de 2026 e eventual recuperação do dólar globalmente em meio a um frágil quadro fiscal doméstico em um ano eleitoral, esperamos que o dólar termine o ano a R$ 5,35", afirma o economista-chefe do Rabobank para a América do Sul, Mauricio Une, em relatório.

Pela manhã, o Banco Central realizou novo "casadão", com venda de US$ 1 bilhão em moeda à vista e compra de US$ 1 bilhão em dólar futuro por meio da oferta de 20 mil contratos de swaps cambiais reversos. A operação não tem influência direta na taxa de câmbio, mas tende a reduzir a pressão no cupom cambial (taxa de juros em dólar).

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Operadores ouvidos pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) não descartam a possibilidade de novas intervenções do BC para prover liquidez, uma vez que os sinais ainda são de pressão por saída de divisas. "Combinar a redução do estoque de swap tradicional com venda no spot é admitir que o problema é no câmbio à vista, e não no mercado futuro", afirma um gestor de recursos, que pede anonimato.

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