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Dólar sobe 2,68% na semana e atinge pico em 4 meses com cautela eleitoral

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O dólar emendou o quinto pregão consecutivo de alta nesta sexta-feira, 14, ultrapassou o teto de R$ 5,20 no fechamento e encerrou o dia nos maiores níveis desde o fim de março. Embora o dia tenha sido negativo para outras divisas emergentes latino-americanas, a moeda brasileira sofreu mais que seus principais pares.

A decisão do governo brasileiro de iniciar o processo de adoção de mecanismo de reciprocidade contra o tarifaço americano exacerbou a percepção de risco e contribuiu para o novo tropeço do real - já abalado pela saída de estrangeiros da bolsa doméstica e pelo aumento da demanda por hedge em razão da maior sensibilidade dos investidores ao ciclo eleitoral.

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Depois de flertar com os R$ 5,25 no início da tarde, quando registrou máxima de R$ 5,2490, o dólar à vista terminou a sessão em alta de 0,52%, a R$ 5,2199 - maior valor de fechamento desde 30 de março (R$ 5,2478). A moeda norte-americana fecha a semana com ganhos de 2,68%, o que leva a valorização acumulada em agosto a 2,95%, após baixa de 1,79% em julho.

"A adoção do mecanismo de reciprocidade não é o principal motor para o comportamento da moeda, mas adiciona uma nova camada de incerteza à trajetória do real ao aumentar o risco de uma escalada na disputa comercial com os EUA", afirma o economista-chefe da Pantheon Macroeconomics, Andrés Abadia.

Segundo o economista, o real sofre com um movimento de realização de lucros por conta da "reprecificação do risco-Brasil". Investidores estariam "revisitando" o quadro fiscal e as expectativas para a condução da política econômica a partir de 2027 diante da proximidade da eleição presidencial. "O real provavelmente vai se manter volátil e se tornará cada vez mais sensível às notícias sobre as eleições, aos sinais sobre a política fiscal e ao desenrolar da disputa comercial com os EUA", afirma Abadia.

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Para o head de câmbio da EQI Investimentos, Alexandre Viotto, o início do processo de adoção da reciprocidade abalou as chances de uma esperada recuperação, ainda que parcial, da moeda brasileira nesta sexta-feira, após a rodada de depreciação dos dias anteriores. Ele destaca que os importadores estão aumentando a busca por hedge cambial diante da possibilidade de uma alta ainda maior do dólar. "Temos uma saída de investidores da bolsa brasileira e um aumento da volatilidade do câmbio, movimento que pode se intensificar até as eleições", afirma Viotto.

Lá fora, o índice DXY - referência do comportamento da moeda americana em relação a uma cesta de seis moedas fortes - voltou a cair e marcava 99,653 pontos por volta das 17h, em baixa de 0,31%, após mínima de 99,475 pontos. O Dollar Index recua cerca de 0,15% em agosto. Após dados mais fracos do mercado de trabalho e leituras comportadas da inflação ao consumidor e ao produtor, os dados das vendas no varejo em julho decepcionaram, com queda de 0,6% ante junho, na contramão da expectativa de analistas (+0,1%).

"Mesmo com o DXY recuando e o mercado aumentando a expectativa de manutenção de juros pelo Fed em setembro, não há apetite pelo real, que tem um desempenho pior que o de outras moedas emergentes. Isso sinaliza que as questões eleitorais e fiscais domésticas começaram a ganhar um peso maior na formação da taxa de câmbio", afirma a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli.

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