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Dólar sobe 0,54% no dia de olho em guerra e Fed, mas recua 0,78% na semana

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O dólar encerrou a sessão desta sexta-feira, 22, em alta de 0,54%, a R$ 5,0282, mas terminou a semana com desvalorização de 0,78%. Investidores adotaram uma postura mais cautelosa na véspera do fim de semana e buscaram proteção na moeda americana, na esteira de dúvidas sobre os progressos nas negociações de paz no Oriente Médio e de falas mais duras de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) diante da piora das expectativas de inflação.

O real amargou desempenho inferior ao de seus pares e ao de divisas de países exportadores de commodities, como o dólar australiano e o canadense. Operadores atribuíram o tropeço da moeda brasileira a eventual fluxo de saída da bolsa doméstica e ao redesenho do quadro eleitoral, com pesquisas de intenção de voto confirmando a desidratação da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), abalada pelo "Flávio Day 2.0". O episódio revelou que Flávio pediu recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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Pesquisa Datafolha divulgada no meio da tarde trouxe perda de fôlego do senador, mas não provocou alterações significativas na taxa de câmbio. A avaliação entre operadores ouvidos pela Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) é a de que o quadro momentâneo de fraqueza de Flávio ainda não autoriza apostas em naufrágio da candidatura do senador. O Datafolha mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu 9 pontos de vantagem em relação a Flávio no primeiro turno (40% versus 31%). Na simulação para o segundo turno, Lula aparece com 47%, ao passo que o senador tem 43% - o que significa empate técnico, considerando a margem de erro.

O gestor de fundos multimercados da AZ Quest, Eduardo Aun, observa que o real passou a ter desempenho inferior ao dos pares após a eclosão do "Flávio Day 2.0", o que pode sugerir aumento do peso de fatores locais sobre a formação da taxa de câmbio. "A questão eleitoral está muito ligada à perspectiva de manutenção da política fiscal atual, que não garante a sustentabilidade da dívida pública", afirma Aun.

Apesar de já avançar 1,52% no mês, a moeda americana ainda acumula no ano desvalorização de 8,39% em relação ao real, que figura como uma das três divisas com maiores ganhos no período, ao lado do novo shekel israelense e do rublo russo. Pares latino-americanos, como os pesos mexicano e chileno, exibem em 2026 apreciação bem mais modesta, entre 2% e 3%.

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O gestor da AZ Quest destaca que dois pilares de sustentação do real - a melhora da balança comercial com a alta dos preços do petróleo e a atratividade do carry trade na esteira de cortes modestos da taxa Selic - seguem em pé. A dúvida é como a moeda brasileira vai reagir nos próximos meses em caso de confirmação de um quadro desfavorável à oposição na corrida presidencial e de fortalecimento global da moeda americana.

Ele ressalta que houve recentemente uma abertura da curva de juros nos Estados Unidos diante de dados mais fortes de atividade e da piora das expectativas de inflação, em razão da manutenção dos preços do petróleo em níveis elevados. Com o mercado de trabalho saudável, a percepção de Aun é a de que o Fed se tornou "mais vocal" em relação às preocupações com o aumento de preços, como mostrou nesta sexta o discurso do diretor Christopher Waller. Além disso, há uma volta do apetite pelo setor de tecnologia dos EUA, o que pode reviver a tese do "excepcionalismo americano" e diminuir o fluxo para emergentes.

"Além desses pontos, há um impulso fiscal forte nos EUA e a possibilidade de redução do risco institucional se Trump perder a maioria nas duas Casas do Congresso", afirma Aun, em referência às eleições legislativas de meio de mandato nos EUA, em novembro. "Vejo uma combinação de vetores altistas para o dólar globalmente, o que é um desafio para o real."

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Termômetro do comportamento da moeda americana em relação a uma cesta de seis divisas fortes, o índice DXY oscilou ao redor da estabilidade ao longo da tarde e subiu 0,04% por volta das 17h, aos 99,291 pontos, após máxima aos 99,412 pontos. O Dollar Index avança 1,22% em maio, passando a acumular valorização de cerca de 1% no ano.

As taxas dos Treasuries de dois e dez anos apresentaram alta modesta nesta sexta, em pregão reduzido antes do feriado de Memorial Day nos EUA, na próxima segunda-feira, 25. As cotações do petróleo apresentaram leve recuo nesta sexta, com o barril do Brent em baixa de 0,94%, a US$ 103,54. Na semana, as perdas são de mais de 4%, apesar das incertezas que cercam as tratativas entre EUA e Irã.

Indicado por Donald Trump, crítico da condução da política monetária do Fed sob o comando de Jerome Powell, Kevin Warsh tomou posse nesta sexta como presidente do banco central norte-americano com discurso protocolar, embora tenha dito que a inflação pode ser mais baixa e o crescimento, mais forte.

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Mais cedo, o diretor do Fed Christopher Waller defendeu a manutenção dos juros no curto prazo e não descartou a possibilidade de aumento das taxas mais adiante caso não haja alívio da inflação. Pesquisa da Universidade de Michigan mostrou tombo na confiança do consumidor americano em maio e avanço das expectativas de inflação para 12 meses e cinco anos.

"A inflação permanece persistentemente acima da meta de 2%, o mercado de trabalho continua relativamente sólido e os efeitos do petróleo elevado começam a contaminar expectativas inflacionárias", afirma, em nota, o analista Matheus Spiess, da Empiricus Research.

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