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Dólar fecha praticamente estável, a R$ 4,89, em dia de cautela com Oriente Médio

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Após passar a tarde rondando a estabilidade, o dólar encerrou a sessão desta segunda-feira, 11, cotado a R$ 4,8914 (-0,05%). Com a ausência de progresso nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, houve certa aversão ao risco no exterior, o que afastou investidores de divisas emergentes. O real resistiu bem à maré externa negativa, amparado em parte pelo avanço dos preços do petróleo e pela taxa de juros local elevada.

Operadores ressaltam que a liquidez foi bem reduzida, o que revela falta de apetite por apostas mais contundentes. Embora as perspectivas para a moeda brasileira sigam positivas, é provável que haja uma pausa para ajustes técnicos, dado que o dólar rompeu o piso de R$ 4,90 na última sexta-feira, 8, algo não visto desde meados de janeiro de 2024, e já acumula baixa de mais de 10% no ano.

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"O dia é de cautela diante do impasse nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, o que leva a um ligeiro avanço do dólar no exterior e a uma alta dos preços do petróleo", afirma a economista-chefe para América Latina da Coface, Patricia Krause, acrescentando que o aumento dos riscos inflacionários também abala setores da bolsa brasileira voltados à economia doméstica.

Após perdas de mais de 6% na semana passada, as cotações do petróleo voltaram a subir com o aumento da tensão no Oriente Médio. O contrato do WTI para junho fechou em alta de 2,78%, a US$ 98,07 o barril. Já o contrato do Brent para julho - referência de preços para a Petrobras - avançou 2,88%, para US$ 104,21 o barril.

No domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que a proposta de paz apresentada pelo Irã era "totalmente inaceitável", frase que repetiu nesta segunda-feira. Em carta enviada aos EUA por meio do Paquistão, Teerã não se comprometeu a renunciar à intenção de possuir armas nucleares. No tradicional estilo morde e assopra, o republicano afirmou à tarde que o cessar-fogo está "incrivelmente frágil", mas ponderou que uma solução diplomática é possível.

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Segundo informações da Axios, Trump se reuniu com sua equipe de segurança nacional para discutir o caminho a seguir na guerra com o Irã, incluindo a possível retomada de ações militares. Em publicação no X, o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse que as forças armadas iranianas estão "prontas para dar uma resposta exemplar a qualquer agressão".

"Um acordo para pôr fim ao conflito no Oriente Médio ainda não foi alcançado pelos EUA e Irã, mantendo os preços do petróleo elevados", afirma o Citi, em relatório. "O câmbio da América Latina tem se mantido resiliente, com as taxas altamente correlacionadas com o petróleo, ignorando parte do fluxo de notícias macroeconômicas locais".

Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY operou em ligeira alta, pouco abaixo da linha dos 98,000 pontos. Euro e iene perderam valor, ao passo que a coroa norueguesa, ligada ao petróleo, subiu pouco mais de 0,20%. As taxas dos Treasuries avançaram, com alta de mais de 1% nos retornos dos papéis de 2 e 10 anos, refletindo o aumento dos temores inflacionários. Investidores aguardam a divulgação na terça da inflação ao consumidor nos EUA em abril, após o relatório de emprego (payroll) mitigar temores de desaceleração mais forte da atividade.

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Por aqui, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga na terça-feira também o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril. A mediana das estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast é de variação de 0,67%, após alta de 0,88% em março. A mediana agregada do Boletim Focus mostrou alta da estimativa para a inflação oficial no ano, de 4,89% para 4,91%, ao passo que a expectativa para a taxa Selic em dezembro manteve-se em 13%. Já a projeção para a taxa de câmbio ao fim do ano recuou de R$ 5,25 para R$ 5,20.

O sócio-diretor da Wagner Investimentos, José Faria Júnior, afirma que as projeções para o câmbio recuam em meio à perspectiva de juros elevados e de melhora das contas externas. "O dólar fechou abaixo de R$ 4,90, seguindo o roteiro que temos defendido. Aos poucos, o modelo vai ajustando para baixo o objetivo da moeda americana, que se aproxima de R$ 4,80", afirma Faria Júnior.

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