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Dólar cai no dia para R$ 5,08 com payroll fraco, mas tem leve alta na semana

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O dólar exibiu queda firme frente ao real nesta sexta-feira, 7, acompanhando a onda de desvalorização da moeda norte-americana no exterior, após dados fracos do mercado de trabalho nos Estados Unidos esfriarem as apostas em alta da taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) em setembro. O real, que costuma brilhar em ambiente de apetite ao risco, desta vez não figurou entre as divisas emergentes com os maiores ganhos.

Com mínima de R$ 5,0745 pela manhã, o dólar à vista encerrou o dia em queda de 0,46%, a R$ 5,0836 - abaixo da linha de R$ 5,10 pela primeira vez após três pregões.

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Apesar do recuo nas últimas sessões, a moeda norte-americana encerrou a semana, que corresponde aos cinco primeiros pregões de agosto, com alta de 0,26%, após queda de 1,79% em julho. No ano, as perdas são de 7,39%.

O tropeço do real na semana é atribuído ao comportamento do petróleo e aos atritos diplomáticos entre Brasil e Estados Unidos, além da cautela que permeou os negócios antes da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que anunciou na quarta-feira, 5, corte da taxa Selic de 0,25 ponto porcentual, para 14% ao ano.

Embora tenham avançado cerca de 1% nesta sexta-feira, as cotações do petróleo terminam a semana com baixa firme, com expectativas de acordo para reabertura do Estreito de Ormuz.

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O economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, observa que o comportamento do mercado global de moedas foi ditado nesta sexta inteiramente pelo resultado do relatório de emprego (payroll) nos EUA, com a queda global do dólar e o recuo das taxas dos Treasuries abrindo espaço para a apreciação do real.

"Já era esperado um arrefecimento do mercado de trabalho, mas o resultado surpreendeu ao mostrar uma correção muito mais aguda, com destruição de vagas. Tanto que a curva de juros americana já passou a indicar possibilidade maior de que o Fed opte pela manutenção em setembro", afirma Galhardo, ressaltando que o real também deve encontra suporte na taxa de juros real doméstica. "Com a inflação bem comportada, a taxa real segue elevada mesmo com os cortes da Selic promovidos pelo Copom."

O payroll mostrou que houve fechamento de 23 mil vagas nos EUA em julho, contrariando as projeções colhidas pelo Projeções Broadcast, que apontavam criação de 63 mil a 130 mil empregos, com mediana de 80 mil. A taxa de desemprego recuou de 4,2% para 4,1%, por conta da queda da taxa de participação no mercado de trabalho.

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Sob o impacto do payroll, as apostas em alta de juros pelo Fed em setembro deixaram de ser majoritárias, caindo da casa de 54% para cerca de 46%, segundo ferramenta de monitoramento FedWatch, do CME Group. As perspectivas ainda são de aperto monetário neste ano, com mais de 50% de chances de elevação da taxa básica em outubro.

Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY recuava 0,37% por volta das 17 horas, aos 99,563 pontos, após mínima aos 99,402 pontos. O Dollar Index cai cerca de 0,25% neste início de agosto, em parte por conta da valorização do iene, após intervenção conjunta dos EUA e do Japão para apoiar a moeda japonesa.

"O resultado do payroll dá suporte à nossa previsão de uma pausa prolongada pelo Federal Reserve, mas é preciso lembrar que, antes da reunião de setembro, temos mais um relatório de emprego e duas leituras de inflação, além do Simpósio de Jackson Hole", afirma, em nota, o economista-chefe internacional do ING, James Knightley, acrescentando que a decisão do Fed provavelmente será mais influenciada pelos índices de preços.

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