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Dólar avança 1,28% com exterior após alta do petróleo e dados fortes nos EUA

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O dólar acentuou os ganhos frente ao real ao longo da tarde da quarta-feira, 23, alinhado à onda de valorização da moeda norte-americana no exterior. A retomada da trajetória de alta do petróleo, na esteira da frustração nas negociações entre EUA e Irã, e dados fortes da economia dos EUA impulsionaram o retorno dos Treasuries, abalando as divisas emergentes.

O real, que costuma ser mais castigado que seus pares em picos de aversão ao risco, apresentou perdas inferiores nesta quarta às de outras divisas latino-americanas. Analistas ponderam que a melhora dos termos de troca com o avanço do petróleo mitiga parte das pressões sobre a moeda brasileira, que ganhou fôlego nas últimas semanas com o acirramento da corrida presidencial.

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Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada pela manhã confirmou o quadro de empate técnico entre o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em eventual segundo turno.

Em alta firme desde a abertura dos negócios, o dólar rompeu o teto de R$ 5,15 no fim da manhã e registrou máxima de R$ 5,1760 à tarde. Terminou o dia com avanço de 1,28%, a R$ 5,1682 - maior valor de fechamento desde 31 de agosto (R$ 5,1801). A moeda norte-americana ainda recua frente ao real no mês (0,23%), após valorização de 2,16% em agosto. No ano, as perdas são de 5,84%.

"O que mais impactou o dólar hoje foram os dados de atividade nos EUA, além da alta do petróleo, com o retorno das incertezas no conflito no Oriente Médio", afirma o especialista em câmbio Nicolas Gomes, da Manchester Investimentos. "Os números mostram que a economia dos EUA segue aquecida, reforçando a tese da pressão inflacionária. Sem um guidance claro como havia com o último presidente do Federal Reserve, os dados econômicos ganham ainda mais peso na formação das expectativas."

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Pesquisa preliminar da S&P Global mostrou que o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto - que agrega os setores de serviços e indústria - subiu em setembro mais do que as expectativas e atingiu o maior nível em 62 meses. Após cinco sessões consecutivas de baixa, coroadas na terça com a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre conversas "muito positivas" com o Irã, o petróleo voltou a subir com força após a ausência de progresso nas negociações.

O contrato do Brent para novembro fechou em alta de 2,84%, a US$ 98,12, e subia mais de 4% no pregão eletrônico, acima de US$ 100. Notícias de que o governo americano estaria elaborando um plano para proibir as exportações de diesel dos EUA por 90 dias, informação refutada pela Casa Branca, contribuíram para ampliar a aversão ao risco nos mercados ao longo da tarde.

Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY superou os 101,000 pontos e operava na casa de 101,100 pontos perto do fim da tarde, em alta de 0,50%, após máxima aos 101,231 pontos. Trata-se dos maiores níveis desde fins de julho.

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Para o economista sênior da Nomad, Vitor Kayo, os números do PMI reforçam a leitura de que a economia americana segue "resiliente" após o Federal Reserve ter elevado a taxa de juros. "O Fed afirmou que a alta veio em um momento de economia forte e mercado de trabalho consistente com pleno emprego, reforçando que o combate à inflação segue sendo a prioridade", afirma Kayo.

As taxas dos Treasuries subiram em bloco com a combinação de choque de energia e sinais de economia aquecida. O rendimento da T-note de 10 anos tocou o maior nível desde julho de 2007, e o do T-bond de 30 anos atingiu o pico em 22 anos. Ferramenta de monitoramento do CME Group mostra que as chances de uma alta de 0,50 ponto porcentual da taxa básica americana até o fim do ano se tornaram majoritárias.

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