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Deputado do PT aciona MP sobre possíveis irregularidades entre Digimais e governo Tarcísio

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O deputado estadual Antônio Donato (PT) protocolou nesta quarta-feira, 25, uma representação no Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para que o órgão apure possíveis irregularidades no credenciamento do Banco Digimais para operar empréstimos consignados na folha de pagamento de servidores estaduais durante a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

A iniciativa ocorre dois dias após a Polícia Federal (PF) deflagrar a Operação Miragem, que investiga suspeitas de fraudes envolvendo o banco. A Justiça autorizou o bloqueio de R$ 670 milhões em bens de investigados, entre eles o líder da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), Edir Macedo, controlador da instituição.

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Segundo a PF, o Digimais teria reproduzido práticas ilícitas semelhantes às investigadas no Banco Master. A corporação afirma ainda que, após Macedo assumir o controle da instituição, o banco passou a concentrar suas operações em crédito consignado e financiamento de veículos, em um movimento seguido por breve expansão e posterior "severa" deterioração financeira, marcada por prejuízos expressivos.

Após a deflagração da operação, a oposição paulista passou a questionar um contrato firmado em agosto de 2025 pela gestão Tarcísio, que autorizou o Banco Digimais a oferecer empréstimos consignados a mais de 80 mil policiais militares. À época da assinatura do Contrato CIAF 011/2025, segundo os oposicionistas, a instituição já enfrentava uma grave crise financeira, com prejuízo acumulado de R$ 250 milhões, valor que teria alcançado quase R$ 500 milhões meses depois.

A relação entre o Republicanos, partido ao qual Tarcísio é filiado, e a Igreja Universal é histórica e estreita. A legenda foi criada como braço político da igreja e, embora ambas se apresentem formalmente como instituições independentes, a oposição sustenta que as circunstâncias do credenciamento e da contratação do Banco Digimais devem ser esclarecidas.

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Na representação, Donato aponta que a Secretaria de Gestão e Governo Digital do Estado de São Paulo publicou, em julho de 2025, despacho que deferiu o credenciamento do Banco Digimais S.A. para operar no Sistema de Consignação em Folha de Pagamento dos servidores públicos estaduais. O aval foi concedido quase dois anos depois de a Secretaria da Fazenda estadual ter indeferido, em setembro de 2023, pedido semelhante apresentado pela instituição.

Entre as duas decisões, em março de 2025, Tarcísio transferiu da Secretaria da Fazenda para a Secretaria de Gestão e Governo Digital a competência para analisar e decidir sobre pedidos de credenciamento de instituições interessadas em operar empréstimos consignados para servidores estaduais.

Donato pede que o MP-SP apure, entre outros pontos, as razões para a mudança de competência entre as duas secretarias e os motivos que levaram a administração estadual a rever o entendimento adotado entre o indeferimento do pedido, em 2023, e a autorização concedida em 2025.

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Em resposta, a gestão Tarcísio afirmou que o credenciamento do Banco Digimais não decorreu de decisão política, mas de processo técnico submetido a critérios objetivos previstos na regulamentação. Até o momento, os relatórios da PF focam exclusivamente nos crimes financeiros e nas manipulações contábeis internas do banco e não existem indícios de envolvimento do governo paulista.

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