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Curva de juros ganha inclinação com exterior, risco político e fala de Nilton

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A curva de juros futuros ganhou inclinação no pregão desta terça-feira, 19, influenciada principalmente pela disparada nos rendimentos dos Treasuries, que alcançaram seus maiores níveis em anos em alguns vértices ainda devido ao impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã. Por aqui, o cenário político também contribuiu para o avanço nas taxas mais distantes, com mais episódios envolvendo o senador e pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, e o banqueiro Daniel Vorcaro.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 fechou em 14,14%, de 14,15% no ajuste de segunda. O DI para janeiro de 2029 subiu a 14,11%, vindo de 14,06% no ajuste também de segunda. O DI para janeiro de 2031 terminou a 14,27%, de 14,18%.

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Após o presidente Donald Trump ter sinalizado arrefecimento nas tensões, indicando que um acordo estava próximo de ser alcançado, o republicano voltou a ameaçar Teerã nesta terça com novos ataques até o "início da próxima semana". O país persa, por sua vez, afirmou que está pronto para enfrentar qualquer agressão militar. O contrato para julho do petróleo tipo Brent, referência para a Petrobras, fechou em leve queda na sessão regular, de 0,82%, mas ainda em nível pressionado, a US$ 111,28 o barril.

Por aqui, agentes apontaram que falas consideradas 'dovish' do diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, durante evento no Santander, também contribuíram para o movimento de 'steepening' da curva. Isso porque, como não há no cenário possibilidade de que o BC mude o ciclo de calibração da Selic para um de alta, há um "teto" para que os DIs mais curtos absorvam prêmios, que acabam direcionados para os vértices longos.

David afirmou que a desancoragem das expectativas de inflação é algo que preocupa a autarquia. Mais do que as declarações públicas, investidores monitoraram conversa em particular vazada antes de suas falas, na qual Nilton declarou que a Selic em 13,25% no fim do ano, como projeta o departamento econômico chefiado por Ana Paula Vescovi, não seria um cenário 'dove' - ou seja, em sua visão, poderia haver mais espaço para cortes na Selic.

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Economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez afirma que o vetor internacional, mais adverso, foi preponderante sobre a elevação dos juros futuros. "Os Treasuries abrindo dez pontos-base em vértices intermediários são um efeito bem relevante", disse. "Vemos o preço do petróleo em US$ 110 e sem recuo. Está todo mundo não querendo ficar refém de blefes de um agente ou de outro", avalia Sanchez.

Além da questão externa, Sanchez acrescenta que o quadro eleitoral doméstico, na medida em que a possibilidade de reeleição do governo Lula vai ganhando terreno com a desidratação do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também pode ter exercido influência de alta sobre os juros longos.

Após o áudio vazado na última semana que mostrou que Flávio pediu recursos ao banqueiro detido Daniel Vorcaro e derreteu os ativos, nesta terça o filho de Jair Bolsonaro confirmou que esteve na casa do dono do banco Master, logo após ele ter passado para o regime de prisão domiciliar. "Além disso, a reafirmação de Flávio como candidato após esse episódio aumenta a probabilidade de Lula vencer, o que está associado a uma piora da sustentabilidade fiscal", diz o economista-chefe da Ativa.

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