Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--

Economia

publicidade
ECONOMIA

Credores da Oi temem receber valor 'ínfimo' com venda de fatia na V.tal e contestam processo

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

Os credores da Oi encaminharam nesta segunda-feira, 9, uma petição à Justiça contestando os termos do processo de venda de um dos ativos mais importantes do processo de recuperação judicial da companhia, que é a sua fatia na V.tal - empresa de infraestrutura de telecomunicações controlada pelo BTG Pactual.

A fatia da Oi corresponde a 27,5% da V.tal e foi colocada à venda por meio de leilão a ser realizado no dia 5 de março, com lance mínimo previsto de R$ 12,3 bilhões, com pagamento em dinheiro, à vista, conforme edital publicado no dia 3 de fevereiro.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Associe sua marca ao jornalismo sério e de credibilidade, anuncie no TNOnline.

Na petição, à qual o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) teve acesso, os credores dão a entender que o processo é como um "jogo de cartas marcadas", uma vez que o prazo para venda é curto demais. Na visão deles, isso comprometerá a atração de interessados, podendo descambar em ofertas com valores bem abaixo do mínimo esperado no certame. E, consequentemente, comprometendo a quitação das dívidas da Oi.

Procurados, a Oi e o gestor judicial Bruno Rezende não responderam imediatamente.

A petição com tais críticas foi protocolada pelo UMB Bank, que atua como um administrador (trustee) dos valores a serem recebidos pelos credores. Neste grupo, estão gestoras de recursos estrangeiras, como Pimco, Vontobel, Arkaim e Bracebridge, cujo saldo a receber gira em torno de R$ 10 bilhões.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Esses agentes encabeçaram o empréstimo emergencial à operadora no início da sua segunda recuperação judicial (o chamado financiamento DIP). Em troca desse empréstimo de alto risco, passaram a ter preferência perante outros credores no recebimento das dívidas e ainda contaram com a garantia as ações da Oi na V.tal, entre outras contrapartidas.

A petição do UMB Bank foi redigida pelo escritório Domingues, Cintra, Napoleão, Lins e Silva Advogados, e enviada para a 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, onde corre o processo da Oi.

No documento, o trustee alega que o processo de venda não será competitivo na prática, com poucas, senão uma única proposta em dinheiro, por preço muito abaixo do mínimo previsto no plano. "O ativo é bastante complexo, e a sua compra exige a prestação de informações sobre a companhia, e a análise de eventuais interessados sobre tais informações, em um regular processo de diligência", afirma.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Com o carnaval no meio do caminho, haverá somente 16 dias úteis entre a divulgação do edital e a abertura das propostas no leilão. "Os potenciais interessados, não previamente engajados, certamente não disporão de tempo e recursos humanos para realizarem seus estudos", argumenta o trustee. Também aponta que o prazo para diligências previsto no edital é exíguo, começando da publicação do edital, quando ainda nem havia sido montada uma sala virtual que reúne os documentos essenciais (a chamada data room).

"Suspeita-se que essa evidente característica anticompetitiva do edital, travestida de respeito à celeridade, seja proposital para restringir a possibilidade de alienação a um ou a poucos proponentes, que já dispõem das informações necessárias e já estejam preparados para seguir adiante com a compra", dispararam os credores. "Por consequência, o processo pode resultar em uma proposta ínfima, extremamente abaixo do preço mínimo previsto no edital, já que, quanto menor a competição, mais provável que a proposta não seja satisfatória."

O UMB Bank não se diz contra a venda dos ativos, criticando somente o modo como o caso está sendo conduzido. "Não se trata de impedir a alienação, mas sim de assegurar um processo transparente e competitivo, plenamente em conformidade com o plano de recuperação judicial, estruturado e conduzido de modo a maximizar o valor da unidade V.Tal."

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Briga com gestor

O UMB Bank teme ainda que o gestor judicial destine os recursos da futura venda do ativo para outros credores. O gestor é o advogado Bruno Rezende, sócio fundador do escritório Preserva Ação e ex-presidente do Instituto Brasileiro da Insolvência (Ibajud), que assumiu a condução da Oi desde o afastamento da diretoria da empresa, no ano passado.

O trustee acusa o gestor de distorcer fatos, apontar falsamente abuso de direito por parte dos credores e abrir caminho para forçar esses agentes a aceitar a venda da fatia na Oi na V.tal por valores potencialmente menores. "O gestor judicial planta a semente que pretende colher quando os mesmos credores rejeitarem uma proposta ínfima para alegar que tal rejeição seria 'abusiva', o que deve ser firmemente rechaçado", aponta. Vale lembrar que a V.tal aponta a Pimco como corresponsável pela crise que colocou a Oi sob intervenção judicial.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O UMB Bank menciona ainda que certos credores vêm buscando, há meses, negociar com o gestor judicial uma transação alternativa, de modo que a Oi venda sua fatia na V.tal em troca do abatimento de parte dívida (mecanismo chamado de credit bid). Segundo o UMB, o gestor teria se recusado a tratar do tema, apontando aí uma suposta ilegalidade.

"A compra da V.tal por meio de um credit bid é uma alternativa que seria potencialmente mais vantajosa para a Oi do que uma proposta ínfima, pois reduziria seu endividamento de maneira significativa e liberaria diversas garantias", diz o trustee.

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email
Adicionar como fonte preferida no Google

Últimas em Economia

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV