Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--
Economia
publicidade
ECONOMIA

Correção: IPCA permitiria aceleração de cortes da Selic, mas fiscal e externo impedem

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

A matéria divulgada anteriormente continha uma incorreção na data de divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O indicador foi divulgado na sexta-feira, 10, e não neste domingo, 12. Segue a matéria corrigida.

O comportamento benigno da inflação brasileira em outubro confirmou para agentes do mercado que o Banco Central continuará seu plano de voo de diminuir a taxa Selic em 50 pontos-base nas próximas reuniões. E mais: a avaliação predominante é de que, se não fossem as incertezas externas e em torno da política fiscal, a autoridade monetária já estaria discutindo uma aceleração do ritmo de cortes a 75 pontos-base. Essa análise surgiu em comentários de economistas do mercado ouvidos pelo

Broadcast

(sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) após a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de outubro na sexta-feira, 10. "O cenário de inflação segue bastante benigno, o Copom poderia acelerar os cortes a 75 pontos, não fosse o cenário externo e o fiscal", disse em nota o economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Nicolas Borsoi. A percepção dos analistas é de que os dados de outubro mostram que a "segunda etapa da desinflação" que vem sendo citada pelo presidente do BC, Roberto Campos Neto, está acontecendo no ritmo antecipado pela autoridade monetária, ou até um pouco mais rápido. O alívio de métricas qualitativas acompanhadas pela autarquia, como a média dos núcleos e os serviços subjacentes, ampara a avaliação. Nas contas do Banco BV, a média dos núcleos ficou em 0,26% em outubro, abaixo do que indicava o consenso do mercado (0,31%) - a terceira surpresa negativa consecutiva em leituras do IPCA. Já os serviços subjacentes subiram 0,19%, em linha com o esperado (0,18%). O índice cheio avançou 0,24%, menos do que indicava a mediana da pesquisa Projeções Broadcast (0,29%). Em médias móveis trimestrais anualizadas e dessazonalizadas, usadas pelo mercado para acompanhar a tendência, a média dos núcleos e os serviços subjacentes já se aproximam de níveis compatíveis com as metas de inflação a partir de 2024. O economista da Garde Asset Luís Menon calcula que as métricas estão em 3,27% e 3,28%, respectivamente, apenas um pouco acima do centro do alvo do ano que vem, de 3%. "É bem compatível com o cumprimento da meta", disse Menon, que reiterou a expectativa de cortes sequenciais de 50 pontos-base na taxa Selic nas próximas reuniões do Copom e de redução dos juros a 9,5% no fim do ciclo de cortes. Na mesma linha, a economista sênior da AZ Quest Mirella Hirakawa reforçou a expectativa de redução da taxa Selic a 9% no fim do ciclo. "Olhando para fatores domésticos, a função-reação do BC confirma que existe espaço para acelerar o corte de juros, mas, olhando o global, continua confirmando a perspectiva que o próprio BC trouxe, de cautela, serenidade e moderação", afirmou.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Associe sua marca ao jornalismo sério e de credibilidade, anuncie no TNOnline.
Cautela

Os analistas consultados pelo

Broadcast

concordam que o comportamento benigno da inflação ao menos retira probabilidade da desaceleração no ritmo de cortes dos juros, a 0,25 ponto porcentual por reunião, mas que uma aceleração ainda está fora da mesa. Além das preocupações do BC com o cenário externo adverso, a "desancoragem gêmea" de expectativas fiscais e de inflação que vem sendo mencionada por Campos Neto também justifica a "cautela" da autoridade monetária. Menos de 15 dias atrás, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva praticamente descartou a possibilidade de zerar o déficit primário em 2024, como vem sendo defendido pelo ministro Fernando Haddad. O chefe da Fazenda disse na quinta-feira que a meta para ele é "programática" e nem precisaria estar em lei para ser perseguida, mas parte do mercado trabalha com a ideia de que uma mudança para déficit próximo de 0,5% do PIB ainda é o mais provável. Para o economista-chefe do Banco BMG, Flávio Serrano, o comportamento da inflação corrente é benigno, mas o BC ainda está mais preocupado com a desancoragem das expectativas de inflação do mercado. As medianas do relatório Focus para o IPCA de 2025 em diante continuam em 3,5% desde junho, quando o Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu manter as metas em 3%. "Essa desancoragem é o maior desafio para o BC, porque faz com que haja um custo maior em termos de política monetária, porque você tem de compensar o desvio com mais juros", disse Serrano. "Não está com cara de que essas expectativas vão cair, ainda mais se eventualmente mudarem a meta fiscal este ano, antes mesmo de tentarem cumprí-la." O economista considera "muito provável" a manutenção do ritmo de cortes em 50 pontos-base nas próximas reuniões do Copom, em dezembro e janeiro, e vê uma probabilidade relevante de manutenção também em março, lembrando da expectativa de desaceleração da economia. O BMG espera juros em 9,5% no fim do ciclo, mas alerta que o mercado de trabalho apertado e a incerteza em torno das expectativas são riscos. "Eu diria que é mais fácil a Selic ficar acima de 10% do que abaixo de 9,5% e, se isso é verdade, não teria espaço para acelerar o ciclo de cortes. A janela para acelerar seria em dezembro ou janeiro, e essa janela passou, pensando em um ciclo que o mercado espera que vá até meados do ano que vem", afirmou Serrano.

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email
Adicionar como fonte preferida no Google

Últimas em Economia

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV