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Comissão deixa votação de dívidas rurais para dia 19; veja principais pontos do texto

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A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado adiou para a próxima terça-feira, 19, a votação do Projeto de Lei 5.122/2023, que destina recursos do Fundo Social do pré-sal ao refinanciamento de dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos.

A postergação veio após a senadora Tereza Cristina (PP-MS) pedir mais tempo para análise. O colegiado concedeu 'vistas coletivas'.

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O texto foi tema de negociações entre o setor do agronegócio e o Ministério da Fazenda.

O agro tem pressa em aprovar a medida antes do Plano Safra.

Modificações

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O adiamento foi necessário porque o relator do projeto, Renan Calheiros (MDB-AL), apresentou, pouco antes da sessão, relatório com modificações em relação ao que havia sido aprovado pela Câmara.

O projeto deve envolver R$ 180 bilhões em dívidas rurais. O valor supera em R$ 100 bilhões a proposta apresentada pelo Ministério da Fazenda como alternativa ao projeto 5122/2023, que prevê utilização de R$ 30 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal para a securitização das dívidas.

A intenção é que o valor ofereça alívio aos produtores rurais inadimplentes e fôlego de caixa àqueles que têm operações prorrogadas e com caixa apertado.

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A estimativa dos R$ 180 bilhões considera financiamentos com pagamentos em atraso, prorrogados, inadimplentes e renegociados, de uma carteira de crédito rural que supera R$ 880 bilhões

Taxas e condições

Pelo relatório, poderão ser renegociadas dívidas de crédito rural, empréstimos utilizados para liquidar operações rurais e Cédulas de Produto Rural (CPR) contratadas até 31 de dezembro de 2025. O parecer ampliou o alcance da proposta original, que previa apenas operações formalizadas até junho de 2025.

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As condições previstas incluem prazo de pagamento de dez anos, com três anos de carência. As taxas de juros seriam de 3,5% ao ano para beneficiários do Pronaf, 5,5% para produtores enquadrados no Pronamp e 7,5% para os demais produtores rurais. As taxas estão abaixo do que defendia a Fazenda. O texto também estabelece teto de R$ 10 milhões por beneficiário e de R$ 50 milhões para cooperativas, associações e condomínios rurais.

Fontes de recursos

O texto prevê que os recursos para a renegociação de dívidas rurais virão principalmente do Fundo Social abastecido pelas receitas do pré-sal. O texto autoriza o uso das receitas correntes do fundo em 2025 e 2026, além do superávit financeiro acumulado em 2024 e 2025.

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A proposta também amplia as fontes de financiamento ao permitir a utilização de superávits de outros fundos supervisionados pelo Ministério da Fazenda, doações, empréstimos de instituições financeiras, rendimentos das aplicações dos recursos e outras fontes definidas pelo Poder Executivo. O relatório ainda autoriza o Tesouro Nacional a emitir títulos públicos para viabilizar operações de alongamento das dívidas rurais.

FGI

Renan Calheiros acolheu uma sugestão da senadora Tereza Cristina, ligada à Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA), para acrescentar uma autorização para a União aumentar sua participação em até R$ 20 bilhões no Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), por meio de cotas, e com o fim exclusivo para renegociar as dívidas.

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"A utilização do FGI para renegociação das dívidas agrícolas resolveria, de uma vez por todas, esse problema no Brasil. íamos colocar esses títulos no mercado, um fundo privado, e isso serviria para renegociação daqui para frente, sempre", disse o relator, durante sessão da CAE.

Enquadramento

O relatório ainda suspende cobranças judiciais e administrativas das dívidas abrangidas enquanto durar o período de contratação da renegociação. Outra mudança proíbe regras infralegais que restrinjam o acesso aos financiamentos, como exigências simultâneas de reconhecimento de calamidade pública por Estados e municípios.

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Entre os critérios para enquadramento dos produtores estão histórico de calamidade pública entre 2012 e 2025, elevado índice de inadimplência rural e perdas recorrentes de produção agropecuária. O texto prevê que produtores poderão comprovar perdas por meio de laudos técnicos e atestados digitais baseados em georreferenciamento e dados meteorológicos.

No parecer, Renan argumenta que a proposta é necessária diante do aumento da frequência de eventos climáticos extremos no País, citando enchentes no Rio Grande do Sul, estiagens no Sul e secas recorrentes no Nordeste. Segundo o senador, a medida fortalece a resiliência do setor agropecuário sem criar despesas obrigatórias permanentes, por utilizar recursos já existentes do Fundo Social.

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