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Cajado: mudanças no arcabouço surpreenderam; mexeram no que havia sido acertado com o governo

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As mudanças feitas pelo Senado no projeto de lei que trata do arcabouço fiscal tiveram um caráter essencialmente político e surpreenderam porque alteraram pontos que haviam sido negociados com o governo, disse o relator do assunto na Câmara dos Deputados, Cláudio Cajado (PP-BA).

"Ficamos até um pouco surpreendidos com a quantidade de mudanças que houve no Senado", disse ele durante entrevista à GloboNews. "Todo o conjunto do relatório que fizemos foi discutido pelo governo. E concordado por ele", acrescentou.

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Os senadores aprovaram uma versão do arcabouço fiscal que, diferentemente da versão proposta por Cajado e aprovada pela Câmara, exclui o Fundeb (fundo de educação básica) e o Fundo Constitucional do DF, abastecido com recursos da União, do conjunto de gastos federais sujeitos a um limite de crescimento.

"Tivemos a preocupação de tecnicamente justificar todas as mudanças do projeto original do Governo Federal", disse Cajado, acrescentando que "não houve justificativa técnica" para o Senado remover os dois fundos do conjunto de despesas que estará sujeita a um limite de crescimento a partir da aprovação do novo marco fiscal.

"Se não houve justificativa técnica, foi o quê? Justificativa política. E aí a Câmara vai ter de se debruçar no início de julho com uma decisão política também", afirmou.

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Segundo Cajado, ao remover estes dois fundos da base de gastos sujeitos às regras que limitam o crescimento das despesas públicas, retira-se também cerca de R$ 10 bilhões do bolo de gastos autorizados a aumentar de um ano para o outro dentro das regras do arcabouço fiscal. Isso, em tese, diminuiria a margem do governo para manejar o orçamento, já que a correção das despesas ocorreria sobre uma base menor.

Ele reiterou que não vê prejuízos em manter o Fundeb e o FCDF entre as despesas sujeitas a este teto de gastos.

"Assistimos de certa forma o governo não se mexer muito em relação a essas alterações no Senado. Então vamos ouvir o governo no momento apropriado. Vamos tomar decisões e se tivermos de mudar de novo o relatório, essa mudança será feita", afirmou.

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Cajado também disse que pretende discutir potenciais alterações ao novo marco fiscal com os líderes da Câmara, com o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL) e com o Planalto, e só depois disso apresentará uma versão revisada do texto.

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