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Brasil parece menos afetado pelas tarifas do que outros países, avalia BC na ata do Copom

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A cúpula do Banco Central analisou que o Brasil parece menos afetado pelas novas tarifas comerciais dos Estados Unidos do que outros países, mas que o País ainda sente o impacto da medida em função do cenário global adverso. Por isso, o Comitê de Política Monetária (Copom) destacou que focará nos mecanismos de transmissão da conjuntura externa para a inflação, cujos desafios estão "muito maiores" agora.

A avaliação consta da ata divulgada nesta terça-feira, 13, sobre a reunião que elevou a taxa básica de juros de 14,25% para 14,75% ao ano na quarta-feira da semana passada.

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"O cenário externo mostra-se adverso e particularmente incerto. O choque de tarifas e o choque de incerteza, apesar de todas as tentativas de mensuração, ainda são de impacto bastante incerto", enfatizou o colegiado, acrescentando que as camadas de incerteza envolvem a própria determinação da política tarifária norte-americana, a resposta tarifária dos demais países essa política e a reação das empresas políticas. Esse conjunto de fatores deve levar a possíveis impactos em cadeias globais de produção, e a resposta dos consumidores às mudanças de preços.

Pela demonstração da cúpula do BC, o cenário atual se apresenta com incerteza "muito maior", o que já tem provocado mudanças nas decisões de investimento e consumo. "Ainda é cedo para concluir qual será a magnitude do impacto sobre a economia doméstica, que, por um lado, parece menos afetada pelas recentes tarifas do que outros países, mas, por outro lado, é impactada por um cenário global adverso", ponderou.

Além disso, a ata cita que as condições financeiras globais que prevalecerão serão particularmente importantes, em ambiente com incertezas econômicas e geopolíticas amplificadas. O documento explica que o cenário-base do Comitê nas últimas reuniões já contemplava dois eixos: um aumento da incerteza e uma deterioração do cenário de crescimento global, com desaceleração gradual e ordenada da economia norte-americana. "Ambos os vértices se deterioraram e se aprofundaram", concluiu.

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Ainda no parágrafo 7 - o mais longo do documento - a cúpula do BC cita que a incerteza se materializou muito maior do que esperado e se prevê, agora, uma desaceleração na economia norte-americana mais acentuada do que era previsto. "Outro desenvolvimento relevante refere-se aos dilemas enfrentados pela política monetária norte-americana resultantes dos efeitos da política tarifária, com concomitante aumento do nível de preços e redução no ritmo de crescimento da atividade."

O Comitê reforçou também que o compromisso dos bancos centrais com o atingimento das metas é um ingrediente fundamental no processo desinflacionário, corroborado pelas recentes indicações de ciclos cautelosos de distensão monetária em vários países e a ênfase na ancoragem das expectativas. "Como usual, o Comitê focará nos mecanismos de transmissão da conjuntura externa sobre a dinâmica de inflação interna e seu impacto sobre o cenário prospectivo", salientou, reforçando que um cenário de maior incerteza global e de movimentos cambiais mais abruptos exige maior cautela na condução da política monetária doméstica.

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