Bolsas da Europa recuam com temores sobre IA e petróleo alto; tensão na França pesa
Por Sergio Caldas
São Paulo, 20/10/2026 - As bolsas europeias recuam na manhã desta terça-feira, estendendo as perdas de ontem, em meio a preocupações com a sustentabilidade dos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial (IA) e com a alta do petróleo, fatores que reduzem o apetite por risco. O sentimento também é afetado pelos distúrbios na França, que voltaram a ganhar destaque após a imposição de toques de recolher em parte do país.
Por volta das 6h50 (de Brasília), o índice pan-europeu Stoxx 600 caía 0,75%, a 634,74 pontos.
Na França, autoridades impuseram na segunda-feira toques de recolher em áreas de várias cidades, incluindo Paris, Lille e Nice, após um fim de semana de tumultos e saques decorrentes de manifestações antigoverno em todo o país. Os protestos ocorrem em um momento em que a segunda maior economia da zona do euro enfrenta crescimento fraco e aumento da dívida pública.
O setor de tecnologia era destaque negativo na Europa, acompanhando o recuo do segmento na Ásia, apesar do rali do Nasdaq em Wall Street na véspera. No horário acima, o subíndice europeu de tecnologia caía 1,6%.
A aversão ao tema de IA atingia também ações ligadas à demanda de data centers. Os papéis da ABB caíam 5,4%, com a queda generalizada de ações associadas à IA ofuscando o balanço do terceiro trimestre do grupo suíço de engenharia, que mostrou que a demanda por data centers impulsionou os pedidos. Entre pares industriais, Siemens e Schneider Electric recuavam 3,8% e 3%, respectivamente.
Enquanto isso, os preços do petróleo voltaram a ganhar força, com a persistência de temores de interrupções na oferta. No começo da manha, o Brent avançava quase 1,5%.
Na agenda econômica, o índice ZEW de expectativas econômicas da Alemanha caiu para 28,1 em outubro, mas ficou acima do previsto. No Reino Unido, a taxa de desemprego recuou de forma inesperada para 4,7% no trimestre até agosto.
Às 7h03 (de Brasília), a Bolsa de Londres caía 0,73%, a de Paris recuava 0,76% e a de Frankfurt cedia 0,82%. Milão e Madri tinham perdas de 0,86% e 0,53%, respectivamente. Na contramão, Lisboa subia 0,04%.
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