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Bets: associação de jogos rebate governo e diz que movimentação migrou para mercado clandestino

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A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que representa as bets no País, rebateu declaração dada na sexta-feira, 2 pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, de que a movimentação das bets caiu de R$ 600 milhões por dia para zero uma semana após a proibição. Segundo a ANJL, houve um "aumento significativo" dos sites ilegais de apostas. "Portanto, não há como se falar que a movimentação de bets caiu para zero. A movimentação apenas migrou para o mercado clandestino", sustentou a entidade.

A ANJL disse ainda que dados do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) do Banco Central (BC) mostram redução do número de transações por Pix antes da proibição das bets. Segundo a análise, a redução não começou após o anúncio, em 25 de setembro, da Medida Provisória (MP) que proibiu o mercado regulado de apostas de quota fixa.

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"A série histórica indica que o movimento de queda já estava em curso nos dias anteriores. Entre 22 e 24 de setembro - portanto antes da restrição ao setor de bets - a quantidade de transações via Pix já se encontrava aproximadamente entre 7% e 12% abaixo da referência. Em valores movimentados, a redução era ainda maior, variando entre 14% e 27%", afirmou a associação.

A informação divulgada pelo BC é de que as movimentações caíram 10% nos três dias posteriores à edição da MP (26,27 e 28 de setembro), na comparação com a média dos mesmos dias nas quatro semanas anteriores.

Para a ANJL, no entanto, é preciso cautela ao relacionar diretamente essa variação à proibição das apostas. "Isso porque o volume de transações via Pix varia de acordo com o período do mês. A proximidade do fim do mês, por exemplo, quando tradicionalmente as pessoas estão mais apertadas financeiramente, também pode influenciar o comportamento dos pagamentos, ainda mais se considerando que o Pix é um pagamento à vista".

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Por essa razão, a ANJL considera mais adequada uma comparação entre períodos equivalentes do calendário mensal. "Em vez de confrontar os dias 26, 27 e 28 de setembro com uma média que reúne diferentes dias da semana, a análise compara o quarto sábado de agosto e os dois dias seguintes - domingo e segunda-feira - com o quarto sábado de setembro e os respectivos domingo e segunda-feira". Entre os dois períodos, a quantidade de transações Pix passou de 627,6 milhões para 608,6 milhões, uma redução de 3,0%. Já o valor total movimentado seguiu na direção oposta: aumentou 3,7%, passando de R$ 177,1 bilhões para R$ 183,7 bilhões.

"Os números mostram, portanto, que houve menos transações, mas não menos dinheiro circulando pelo sistema. Enquanto a quantidade de operações recuou 3,0%, o volume financeiro movimentado cresceu 3,7%", argumentou o presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge.

Segundo Lemos Jorge, a diferença em relação à queda de 10% divulgada pode estar relacionada à metodologia utilizada na comparação. "Esse porcentual toma como referência a média das quatro semanas imediatamente anteriores à proibição, sem neutralizar completamente as diferenças de comportamento do Pix entre as semanas", defendeu ele.

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"Os dados disponíveis não permitem atribuir automaticamente a redução das transações Pix observada após 25 de setembro à proibição do mercado regulado de apostas. A série já apresentava queda antes da medida e, quando se comparam períodos equivalentes do calendário, a variação é menor e o volume financeiro movimentado aumenta", concluiu o presidente da ANJL.

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