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Bayer registra prejuízo no 4º trimestre, mas vendas superam expectativas

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A Bayer registrou prejuízo líquido de 335 milhões de euros no quarto trimestre de 2024, informou a companhia nesta quarta-feira, 5. O resultado reverte o lucro líquido reportado em igual período do ano anterior, de 1,337 bilhão de euros. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) antes de itens especiais caiu 22,3% em igual comparação, para 2,349 bilhões de euros. Já as vendas tiveram redução de 1,1% no trimestre, para 11,729 bilhões de euros.

A receita com vendas superou a estimativa de analistas, que esperavam 11,26 bilhões no quarto trimestre de 2024. O Ebitda também ficou acima das previsões, que indicavam um valor de 2,27 bilhões. Entretanto, o prejuízo não era esperado pelos analistas, que projetavam lucro líquido de 463 milhões de euros no último trimestre do ano.

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As ações da Bayer subiam 3,10% na bolsa alemã por volta das 09h20 (de Brasília).

As vendas na divisão Crop Science, que inclui produtos agrícolas, cederam 4,4% no quarto trimestre, para 5,385 bilhões de euros. Segundo a Bayer, as vendas de sementes de milho foram pressionadas pelo recuo da área plantada na América Latina e América do Norte. Além disso, houve recuo no segmento de herbicidas e fungicidas. As perdas foram limitadas por avanços no segmento de sementes de soja, inseticidas, sementes de algodão e sementes de vegetais.

Por região, a América Latina obteve a maior queda nas vendas de Crop Science no último trimestre de 2024, com 2,151 bilhões de euros, 14,2% abaixo do quarto trimestre de 2023. Houve recuo, ainda, na região que abrange Europa, Oriente Médio e Ásia, que somou 570 milhões de euros (-6,6%). Apesar disso, a América do Norte teve alta de 3,5% nas vendas, para 2,014 bilhões de euros, enquanto a região da Ásia Pacífico cresceu 14,6%, com 650 milhões de euros em vendas.

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Já na divisão de produtos farmacêuticos, as vendas subiram 1,7% no trimestre, para 4,658 bilhões de euros. As vendas de saúde ao consumidor registraram aumento de 3,5% no trimestre, para 1,567 bilhão de euros.

Resultado do ano

A Bayer reduziu seu prejuízo líquido de 2,941 bilhões de euros em 2023 para 2,552 bilhões de euros em 2024. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) antes de itens especiais caiu 13,5% em igual comparação, para 10,123 bilhões de euros. Já as vendas tiveram redução de 2,2% no ano, para 46,606 bilhões de euros.

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Em todo o ano de 2024, as vendas na divisão Crop Science cederam 2%, para 22,259 bilhões de euros. A Bayer atribuiu o resultado aos altos estoques nos canais, preços mais baixos de ingredientes ativos, pressão dos genéricos e preços mais baixos das commodities. Todas as regiões apresentaram queda nas vendas, com exceção da América do Norte.

"O glifosato experimentou uma estabilização relativa de preços, enquanto as sementes e características cresceram de forma modesta devido às condições climáticas adversas, especialmente na América Latina", afirmou em relatório, ponderando que houve um forte crescimento em cereais e vegetais. "Apesar da queda em relação aos anos anteriores, a inflação permaneceu alta, afetando os custos e agravando ainda mais o difícil ambiente de mercado para os agricultores em todo o mundo", concluiu a Bayer.

Dos outros setores, as vendas da área de produtos farmacêuticos aumentaram 0,3% no ano, para 18,131 bilhões de euros, enquanto no segmento de saúde do consumidor o recuo foi de 2,6%, para 5,870 bilhões de euros.

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O presidente da Bayer, Bill Anderson, afirmou que 2024 foi um ano de contrastes, com progressos consideráveis no setor farmacêutico e na conversão de ganhos em caixa, mas com ventos contrários no negócio de agricultura. "Além disso, a incerteza causada pelos litígios em andamento prejudicou o desenvolvimento do preço de nossas ações, o que, sem dúvida, foi decepcionante", disse em relatório. No ano passado, ele descartou uma divisão do grupo em unidades separadas e, em vez disso, iniciou um plano para focar na construção de um pipeline forte de produtos farmacêuticos, lidar com os casos legais nos EUA, reduzir a dívida e implementar um novo modelo operacional para melhorar o desempenho.

Para 2025, a Bayer estimou as vendas entre 45 bilhões e 47 bilhões de euros. O Ebitda foi projetado entre 9,5 bilhões e 10 bilhões de euros. O lucro líquido deve ser de 4,50 euros por ação a 5,00 euros por ação. A perspectiva de resultados menores ocorre enquanto a empresa trabalha em um plano de recuperação, estimando um desempenho melhor a partir de 2026. O conglomerado farmacêutico e agrícola disse que todas as suas três unidades de negócios têm perspectivas atraentes de longo prazo, mas primeiro precisa conduzi-las por um período desafiador antes de poder aproveitar quaisquer oportunidades. "É o segundo ano de recuperação da Bayer e será o mais difícil em termos de desempenho financeiro", disse a empresa alemã.

Entre outras questões, o CEO da Bayer disse que a divisão farmacêutica deve voltar a registrar aumento de vendas a partir de 2027, com expansão de suas margens a partir de 2028. A empresa também espera que os riscos litigiosos sejam "significativamente" controlados até o final de 2026. Para o setor de agricultura, a Bayer afirmou que buscará aumentar a rentabilidade anual da unidade em mais de 1 bilhão de euros até 2029, visando um crescimento de vendas superior ao do mercado e geração de caixa.

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Além disso, como parte de sua reestruturação, a Bayer está implementando um novo modelo operacional, que inclui cortes de empregos na gestão e a transferência de mais responsabilidades para os funcionários de nível inferior, a fim de acelerar a tomada de decisões. A companhia estima que isso deve gerar uma economia adicional de 800 milhões de euros em 2025.

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