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Auren Energia registrou um prejuízo líquido de R$ 601,6 milhões no primeiro trimestre deste ano

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A Auren Energia registrou um prejuízo líquido de R$ 601,6 milhões no primeiro trimestre deste ano, ante lucro líquido de R$ 54 milhões obtido em igual etapa de 2025.

A receita líquida da companhia cresceu 4,4% nos três primeiros meses do ano, em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 3,07 bilhões, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida, na sigla em inglês) consolidado teve uma queda de 78,2% na mesma comparação, passando de R$ 1,377 bilhão para R$ 300,1 milhões. O indicador foi afetado principalmente pela marcação a mercado dos contratos futuros de energia, fator de natureza não caixa, com reconhecimento prospectivo, salientou a empresa.

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O Ebitda ajustado ficou em R$ 925,9 milhões no primeiro trimestre, montante 23,2% menor que o reportado um ano antes. A margem Ebitda ajustada recuou 10,7 pontos porcentuais no período, para 30,1%.

A Auren atribuiu a queda à base de comparação, tendo em vista que no ano passado a geradora registrou ganhos da ordem de R$ 60 milhões com o descolamento de preços entre Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste, o que não se repetiu nos três primeiros meses de 2026. Adicionalmente, a companhia foi penalizada por uma menor disponibilidade de geração tanto eólica, quanto solar e hidrelétrica.

A geração total da Auren, incluindo recursos próprios e participações, caiu 16,6% de janeiro a março, em relação a igual etapa do ano passado, para 3,33 gigawatts médios. No recorte por fontes, para os ativos controlados pela companhia, a geração hidrelétrica diminuiu 20%, refletindo os menores despachos realizados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), frente à preocupação com a recuperação dos reservatórios diante de um cenário de afluências abaixo da média história. A produção eólica recuou 16%, com ventos também abaixo da média, enquanto a solar foi 8,9% menor, também refletindo menor recurso solar, além das restrições de geração (curtailment).

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Curtailment x modulação

Os cortes de geração nas usinas da Auren chegaram a 13,4% na fonte eólica e 16,3% na fonte solar, em linha com a média observada no Sistema Interligado Nacional (SIN) no primeiro trimestre deste ano, de 14,9% e 16,2%, respectivamente, mas acima do verificado há um ano, de 8,3% e 12,9%.

Em termos financeiros, o impacto do curtailment, líquido da parcela ressarcível, chegou a R$ 86,2 milhões, acima dos R$ 50,7 milhões do primeiro trimestre de 2025, mas inferior aos R$ 207,5 milhões reportados no quarto trimestre.

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O ponto positivo do trimestre foi o ganho com modulação, ou seja, o resultado capturado em função do perfil de produção do portfólio da companhia, com significativa geração hidrelétrica, que somou R$ 97,2 milhões, cinco vezes superior ao registrado um ano antes. Essa entrada mais que compensou o impacto com o curtailment.

"Pela primeira vez, a gente teve um benefício do portfólio da modulação superando o impacto do curtailment, com saldo positivo de R$ 11 milhões", disse o presidente da Auren, Fabio Zanfelice.

Para ele, a tendência é que os ganhos de modulação sigam maiores que os custos com curtailment no futuro, tendo em vista a perspectiva de que os preços horários seguirão oscilando entre mínimas no meio do dia - quando eólicas e solares são cortadas e as geradoras são obrigadas a comprar energia para reposição de seus contratos - e valores elevados no fim da tarde, quando as hidrelétricas são acionadas a contribuir no fornecimento de potência para atender a alta demanda.

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"Mas vai depender do trimestre e da configuração do sistema daqui pra frente", disse, citando que o aumento dos cortes durante a chamada 'safra dos ventos' e potenciais períodos de escassez hídrica podem alterar esse cenário.

Dívida

A queda no Ebitda ajustado impulsionou a alavancagem da companhia, que subiu para 5,2 vezes dívida líquida/Ebitda ajustado, patamar 0,4 vezes acima do reportado no fechamento de 2025, a despeito da redução de R$ 135,3 milhões no período.

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O vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores da companhia, Mateus Ferreira, lembrou que no momento do anúncio da aquisição da AES Brasil, a companhia antecipou que teria um primeiro momento de desalavancagem, saindo de 5,7 vezes para 4,8 vezes, seguido de um período de 'platô', para voltar a desalavancar a partir de 2027.

"No primeiro trimestre a gente entrou nesse platô, e agora está com uma alavancagem muito parecida com aquela do quarto trimestre", disse, reforçando que o indicador deve seguir ao redor de 5 vezes durante todo 2026.

A partir do ano que vem, com o fim dos desembolsos no projeto Cajuína 3 e o início da geração de caixa desse ativo, a companhia deve voltar a observar a desalavancagem.

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As obras do projeto de 112 megawatts de potência, localizado no Rio Grande do Norte, avançaram para 68% de execução física, informou a empresa. O início do comissionamento está previsto ainda para o primeiro semestre de 2026, com entrada em operação comercial total estimada para dezembro.

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