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Alta de juros está perto do fim, mas quadro fiscal preocupa, diz BlackRock

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O Banco Central do Brasil começou a subir os juros antes de seus pares e, por isso, o ciclo de alta das taxas pode estar perto do fim, diferentemente de Estados Unidos e Europa. Já a situação fiscal é bem mais preocupante, avalia Axel Christensen, diretor de estratégia de investimentos para a América Latina da BlackRock, a maior gestora de recursos do mundo, com US$ 10 trilhões em ativos. No País, o executivo vê oportunidades em títulos de renda fixa, do governo e de empresas.

"Certamente, há aspectos com que estamos preocupados, em termos da situação fiscal, do crescimento da dívida pública e sobre quais as decisões de política econômica serão tomadas em torno disso", afirmou Christensen. Há ainda o temor de que a alta generalizada de preços possa provocar inquietações na sociedade, como aconteceu nos países vizinhos, que viram uma série de protestos nas ruas.

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"O Banco Central do Brasil está muito mais perto de atingir o fim do ciclo de alta de juros do que o Federal Reserve (o BC americano), que apenas começou, ou o Banco Central Europeu, que nem começou ainda", afirmou Christensen. Nesse ambiente, a incerteza sobre a política monetária na América Latina é menor do que no mundo desenvolvido.

A inflação no Brasil ainda não chegou a ponto de começar a cair, mas está perto, disse o economista. Pelo lado negativo, a alta mais intensa de juros pelo BC vai comprometer a atividade, afirmou Christensen. O economista vê risco acima de 50% de recessão na América Latina, justamente pela alta de juros aqui ter sido mais rápida do que em outras regiões.

Eleições

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Sobre as eleições em outubro no País, Christensen avalia que as pesquisas até agora mostram uma corrida presidencial sem muitas surpresas. Por isso, não deve haver grandes movimentos do mercado, a menos que haja alguma mudança não esperada nos nomes envolvidos na disputa.

Um dos fatores a se monitorar é como ficará a nova configuração do Congresso após as eleições, pois isso vai ajudar a dar uma visão do espaço do próximo presidente da República para tocar sua agenda de políticas, disse o executivo da BlackRock.

O executivo afirmou também que colocaria o Brasil em uma lista de mercados emergentes "seguros", mas alerta que o País enfrenta obstáculos importantes, como a baixa produtividade e o baixo crescimento estrutural da economia.

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As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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