Vice-prefeito de Lages (SC) foge de operação do Gaeco, acidenta e vai parar na UTI
Político foi condenado a 10 anos e 11 meses de prisão e perda do mandato; ele fugiu dos agentes no momento do cumprimento do mandado de prisão

O vice-prefeito de Lages (SC), Jair Júnior (sem partido), está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Nossa Senhora dos Prazeres, em Lages, após colidir com um caminhão na rodovia BR-116 na noite desta quinta-feira (21) enquanto tentava fugir de integrantes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que cumpriam um mandado de prisão contra ele. Horas antes do acidente, Jair havia sido condenado a 10 anos e 11 meses de prisão por crimes de violência contra a mulher e à perda do mandato eletivo.
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A sentença condenatória foi proferida pela 2ª Vara Criminal de Lages nesta quinta-feira. O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou Jair Júnior pelos crimes de lesão corporal, cárcere privado, constrangimento ilegal e perseguição contra a ex-companheira.

O processo tramita sob sigilo e a denúncia foi apresentada em abril de 2025, após investigação sobre episódios de violência doméstica. A 2ª Vara Criminal requisitou o apoio do Gaeco para o cumprimento do mandado em razão das especificidades do caso e da expertise do grupo em diligências envolvendo agentes políticos.
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Segundo o MPSC, ao perceber a aproximação dos agentes do Gaeco, o vice-prefeito empreendeu fuga de carro e colidiu de frente com um caminhão. Com o impacto, sofreu fratura no fêmur, patela exposta e pneumotórax no lado esquerdo do corpo, precisando passar por procedimento cirúrgico. Seu advogado de defesa informou que o quadro clínico é estável e que ele está lúcido e orientado.
A Prefeitura de Lages emitiu nota nesta sexta-feira (22) confirmando que foi notificada sobre a ordem de prisão e atualizou as informações sobre o estado de saúde do vice-prefeito. "O Município reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência, o respeito às instituições e à atuação dos órgãos competentes, acompanhando os desdobramentos e adotando as providências administrativas cabíveis", diz o comunicado. A prefeitura informou ainda que permanece à disposição das autoridades e dos órgãos de investigação.
O acidente e a condenação ocorrem pouco mais de um ano depois do primeiro episódio público envolvendo o político. Em 22 de março de 2025, Jair Júnior foi preso em flagrante pela Polícia Militar sob acusações de violência doméstica e cárcere privado contra a ex-namorada. Após passar pela Central de Polícia e pelo Fórum de Lages, foi solto mediante pagamento de fiança de cinco salários mínimos, cerca de R$ 7.500.
A repercussão levou a prefeita Carmen Zanotto a assinar o decreto nº 22.540, desligando Jair Júnior do cargo de diretor-presidente da Secretaria Municipal de Águas e Saneamento de Lages (Semasa), que ele acumulava com o de vice-prefeito.
Na sequência, o político anunciou nas redes sociais o afastamento de suas funções públicas para se dedicar à defesa, negando as acusações de agressão. Nos meses seguintes, o isolamento político se intensificou e resultou em sua desfiliação e expulsão do partido Podemos. Entre os relatos anexados aos autos constava ainda um episódio de dano material com pneus furados de veículos da frota municipal.
