Sargento da PM é preso após levar esposa, capitã da corporação, morta a hospital em BH
Sargento alegou que a companheira sofreu uma queda, mas médicos identificaram múltiplos hematomas e acionaram a polícia

A capitã da Polícia Militar de Minas Gerais Michele Leão Azevedo, de 41 anos, chegou morta a um hospital de Belo Horizonte (MG) na noite de segunda-feira (20), levada pelo próprio companheiro, um sargento da mesma corporação, de 37 anos. A equipe médica do Hospital Odilon Behrens estranhou as condições do corpo da vítima, que apresentava múltiplos hematomas, e acionou as autoridades. O sargento foi preso em flagrante, apontado como principal suspeito pela morte da policial.
📰 LEIA MAIS: Frente fria avança sobre o PR com alerta de temporais e ventos de até 100 km/h
A versão inicial apresentada pelo companheiro à equipe de saúde foi a de que Michele havia caído de uma escada. No entanto, a médica responsável pelo atendimento constatou que a capitã já estava em parada cardiorrespiratória havia pelo menos quatro a seis horas. Além disso, o corpo apresentava traumatismo craniano, inchaços nas pernas e diversos hematomas, características incompatíveis com uma simples queda.
Durante as diligências preliminares, a Polícia Civil encontrou indícios que colocam em dúvida a narrativa do sargento. No prédio onde o casal morava, no bairro Palmares, os investigadores localizaram um cabo de madeira quebrado dentro de uma lixeira, objeto que pode ter sido utilizado para agredir a vítima. A perícia também identificou que a cama do casal havia sido mexida e que o suspeito colocou as roupas de cama para lavar momentos antes de decidir levar a mulher ao hospital.
Em depoimento à corporação, o militar apresentou uma nova versão dos fatos. Ele relatou que o casal havia dado uma festa no domingo à noite com amigos e consumido álcool e comprimidos de ecstasy. Após a saída dos convidados, por volta das 5h de segunda-feira, os dois teriam mantido relações sexuais que envolviam agressão física consensual, com compressão do pescoço, prática que, segundo ele, era comum nos oito anos de relacionamento e teria sido gravada em vídeo naquele dia.
O suspeito alegou ainda que, por volta do meio-dia, Michele sofreu uma queda na escada de casa, machucando a cabeça e a boca. Apesar das queixas de tontura da esposa, ele afirmou não ter buscado ajuda médica por vergonha do estado de intoxicação em que se encontravam. O sargento declarou que prestou os primeiros socorros, deu banho na capitã e a colocou para dormir. Ele disse ter adormecido às 15h e acordado apenas às 21h, momento em que percebeu que ela não respondia mais, decidindo levá-la ao hospital. Durante o atendimento médico, o militar pediu para usar o banheiro, onde foi flagrado por outro policial descartando uma caixa metálica com comprimidos de ecstasy.
Para a família da vítima, o caso é reflexo de um relacionamento abusivo. A mãe de Michele relatou à polícia que o militar controlava e manipulava a filha emocionalmente, além de proferir humilhações frequentes. Ela contou que, na manhã do crime, por volta das 10h, a capitã cancelou um encontro que tinham marcado, falando ao telefone em voz baixa e com tom estranho. Após essa ligação, Michele não respondeu mais a nenhuma mensagem. Familiares também relataram episódios anteriores de agressividade, incluindo uma ocasião em que o sargento teria sacado uma faca durante uma discussão, e destacaram que a policial tentava encerrar o relacionamento conturbado, mas o companheiro não aceitava o término.
A defesa do sargento informou, por meio de nota, que acompanha a apuração dos fatos e pediu cautela. Os advogados declararam que o caso está em fase inicial e que é imprescindível aguardar a conclusão das investigações e dos laudos periciais para evitar julgamentos precipitados, ressaltando que as circunstâncias serão devidamente esclarecidas pelas autoridades competentes. O celular do suspeito foi apreendido, e a Polícia Civil segue investigando para determinar a dinâmica exata da morte da capitã.
