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Recepcionista é espancada por hóspede após recusar beijo em hotel no Paraná: ?Eu ia morrer?

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*Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.

Uma recepcionista, de 55 anos, foi agredida por um hóspede em um hotel no bairro Bigorrilho, em Curitiba, na madrugada de sábado, 7. A vítima, Maria Niuzete Batista, contou que, após recusar um beijo, foi agredida com socos, chutes, enforcamentos e golpes com uma saboneteira de porcelana.

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"Só estou viva porque fui muito forte. Fui muito forte porque eu me defendi a todo o momento", disse, em entrevista ao Estadão nesta segunda-feira, 9, após prestar depoimento em uma delegacia. O suspeito, identificado como Jhonathan Reynaldo dos Santos - um pintor de 24 anos -, estava hospedado no hotel com colegas de trabalho. Ele foi preso em flagrante.

Procurado pela reportagem, o advogado do suspeito, Wanderley dos Santos, afirmou que a defesa não irá se manifestar e "não está dando lado para especulação".

Já a direção do hotel onde Maria trabalha informou que está priorizando o apoio à funcionária e colaborando com as autoridades responsáveis pela apuração do caso.

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Maria contou que o homem chegou ao hotel com outros cinco funcionários de uma empresa. Ela fez o check-in de todos e, mais tarde, o grupo saiu para jantar. Quando retornaram, alguns deles compraram cervejas na recepção e subiram para os quartos. "O Jhonathan desceu umas duas vezes, pegou e subiu. Só que depois ele desceu e ficou ali. Pegou uma lata de cerveja e ficou ali na recepção", relatou.

A recepcionista afirmou que avisou que não era permitido consumir bebida alcoólica naquele espaço. "Eu falei para ele: 'Senhor, por normas da empresa não pode ficar bebendo na recepção'." O homem respondeu que sairia em seguida, mas permaneceu no local por mais alguns minutos.

Pouco depois, segundo Maria, ele voltou a se aproximar e pediu um beijo. "Eu recusei e falei: 'Não! Eu sou uma mulher comprometida'".

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A partir desse momento, a funcionária disse que passou a se sentir insegura. Ela trancou a porta de vidro que separa a recepção da área restrita aos funcionários e entrou no banheiro do setor. Ao sair, encontrou o homem dentro do espaço.

"Quando eu saí do banheiro, ele pulou o balcão da recepção e já veio tentando me abraçar. Eu empurrei ele e ele começou a me socar", contou.

De acordo com a vítima, o agressor a derrubou no chão e passou a desferir socos na cabeça e chutes na barriga. Ela relatou ainda que foi enforcada enquanto pedia para que ele parasse. "Eu dizia: 'Moço, pelo amor de Deus, não faça isso'. E ele falava que ia me matar".

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Vídeo mostra recepcionista sendo perseguida

Durante a agressão, o homem quebrou objetos do banheiro. Em seguida, pegou uma saboneteira de porcelana e passou a golpeá-la na cabeça. Em outro momento, usou um pedaço quebrado do objeto para atingir a mão da recepcionista, causando um corte profundo. "Só vi aquele sangue por cima", lembrou.

Maria contou ao Estadão que perdeu a consciência após ser enforcada novamente. Quando recuperou os sentidos, percebeu que o agressor havia se afastado e conseguiu correr para o saguão do hotel em busca de ajuda, como mostram as imagens de câmeras de segurança obtidas pela reportagem. O homem ainda a alcançou, desferiu outro soco e a derrubou no chão.

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Segundo a vítima, o ataque só foi interrompido quando outras pessoas perceberam a situação e começaram a gritar. Funcionários do hotel e pessoas que estavam na rua prestaram socorro a Maria enquanto aguardavam a ambulância. O suspeito permaneceu no local até a chegada da Polícia Militar.

Com marcas no pescoço e o braço enfaixado, ela relembrou que perdeu muito sangue e precisou passar por cirurgia na mão, além de receber pontos na cabeça. Um dos dedos ficou gravemente ferido e outros dois permanecem sem sensibilidade. "Meu dedo ficou pendurado e eu estou sentindo só três dedos", relatou.

"Quando eu vi que estava apagando, eu só pedi a Deus: 'Eu não quero morrer agora'. Eu ia morrer. Estou sentindo muita dor e psicologicamente muito abalada. Não consigo comer, não consigo dormir direito", disse.

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"Ele é um monstro. Eu estava no meu local de trabalho, eu estava trabalhando, foi muita crueldade o que ele fez comigo."

Prisão em flagrante pelo crime de tentativa de homicídio qualificado

O advogado da vítima, Jackson Bahls, afirma que o caso deve ser tratado como tentativa de feminicídio. Para ele, o ataque ocorreu após o agressor não aceitar a recusa da funcionária: "Ele tentou matar essa mulher pelo simples fato de ela ser mulher. Ela disse 'não' para ele."

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Em nota, a Polícia Civil do Paraná informou que Jhonathan foi preso em flagrante pelo crime de tentativa de homicídio qualificado após a agressão contra a funcionária do hotel. Segundo a corporação, o suspeito estava hospedado no local e teria chegado embriagado quando ocorreu o ataque. O inquérito foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público.

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