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Quais os produtos mais falsificados do País? Veja ranking

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O mercado ilegal de produtos, movimentado por falsificação, contrabando, pirataria e sonegação fiscal, provocou prejuízo recorde de R$ 514 bilhões ao Brasil em 2025, segundo o Anuário da Falsificação 2026, divulgado pela Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) nesta quarta-feira, 27. É uma alta de 8% em relação ao ano anterior.

Os valores se referem às perdas de arrecadação tributária e de faturamento das indústrias legalmente estabelecidas. O levantamento mostra que os três setores mais afetados foram:

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- bebidas alcoólicas: prejuízo de R$ 89,5 bilhões;

- vestuário: R$ 55 bilhões

- combustíveis: R$ 30 bilhões.

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Mas o prejuízo vai muito além do econômico. Produtos adulterados podem representar riscos sérios à saúde. Um dos exemplos foi crise de adulteração de bebidas com metanol.

O surto de intoxicação entre setembro e dezembro de 2025, causado pela venda de bebidas alcoólicas falsificadas (principalmente destilados como vodca e gim) adulteradas com metanol, causou 22 mortes confirmadas no País.

Criminosos utilizavam fábricas clandestinas para produzir bebidas falsificadas com embalagens e selos quase idênticos aos originais. Forças-tarefas da Polícia Federal, Polícia Civil e Vigilância Sanitária realizaram operações interestaduais para desmantelar os polos de produção e interditar estabelecimentos irregulares.

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O setor de bebidas alcoólicas é um dos que mais preocupam as autoridades. A estimativa é de que 36% das bebidas alcoólicas comercializadas no Brasil sejam falsificadas, adulteradas, fraudadas ou contrabandeadas. Entre os destilados, o mercado ilegal já representa 28% do volume total de vendas no País.

A Câmara dos Deputados aprovou em outubro do ano passado, projeto de lei para tornar crime hediondo a falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de substância ou bebidas, produtos alimentícios e suplementos alimentares. A pena prevista para os crimes citados é de quatro a oito anos de reclusão.

SP, centro dos mercados ilegais

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O avanço do mercado ilegal evidencia, entre outros fatores, a presença do crime organizado em setores da economia formal, na visão de Rodolpho Ramazzini, advogado especializado no combate à fraude e diretor da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF).

"O crescimento do mercado ilegal está ligado ao fortalecimento das facções criminosas, à evasão fiscal, à fragilidade na fiscalização de fronteiras e à falta de mecanismos de rastreabilidade", enumera

O Estado de São Paulo aparece como o centro do mercado ilegal no País, concentrando 40% de todas as perdas nacionais, o equivalente a R$ 205,6 bilhões. Apesar de não ser região de fronteira, São Paulo lidera o ranking de apreensões da Receita Federal, respondendo por 20% das operações realizadas no País.

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Paralelamente, o relatório também aponta o aumento das operações de repressão, que passou de 1.714 em 2024 para 1.928 em 2025, um crescimento de 12%.

A produção de cigarros em outros países, principalmente no Paraguai, introduzidos no Brasil por meio de contrabando e descaminho, continua sendo um grave problema de saúde pública e de mercado, como aponta o anuário.

O envolvimento do crime organizado nas áreas de fronteira, que passou a controlar a atividade antes dominada por contrabandistas, contribui para o agravamento do problema. Também há participação de facções criminosas transnacionais na fabricação clandestina dentro do Brasil e na distribuição de cigarros ilegais no território nacional.

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Com isso, os cigarros continuam liderando o contrabando no Brasil. O estudo aponta que cerca de 32% do consumo nacional já pertence ao mercado ilegal e que o setor provoca evasão fiscal superior a R$ 11 bilhões anuais. Em 2024, o valor girava em torno de R$ 10 bilhões.

Medicamentos falsos

O mercado ilegal de medicamentos movimenta R$ 16,8 bilhões por ano no Brasil, elevação de 46% em relação a 2024, quando a atividade ilegal girou R$ 11,5 bilhões.

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A elevação sofre influência direta do comércio de remédios da classe GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, impulsionado pela busca por alternativas de tratamento para perda de peso e diabetes. Em 2025, as perdas associadas ao mercado paralelo de remédios foram estimadas em mais de R$ 4,6 bilhões; no período anterior, o montante era de R$ 3,2 bi.

A combinação entre escassez global, preços elevados e a popularização desses fármacos abriu espaço para um mercado paralelo que movimenta desde produtos falsificados até versões manipuladas de forma irregular. O comércio irregular ocorre em três frentes principais:

falsificações diretas: canetas comercializadas com embalagens e rótulos idênticos aos originais, mas que contêm substâncias diferentes, como insulina, capaz de provocar hipoglicemia severa, ou apenas solução salina.

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manipulação industrial proibida: farmácias e laboratórios clandestinos produzem versões "genéricas" de semaglutida e tirzepatida;

substâncias sem registro: venda de compostos como a retatrutida, ainda em fase de testes clínicos.

Setores com maiores prejuízos em 2025

Bebidas alcoólicas - R$ 89,5 bilhões

Vestuário - R$ 55 bilhões

Material esportivo - R$ 32 bilhões

Combustíveis - R$ 30 bilhões

Perfumaria - R$ 22,8 bilhões

Defensivos agrícolas - R$ 22 bilhões

Medicamentos - R$ 16,8 bilhões

Ouro - R$ 13,8 bilhões

TV por assinatura - R$ 13 bilhões

Autopeças - R$ 13 bilhões

Materiais elétricos - R$ 12 bilhões

Setor óptico - R$ 11,8 bilhões

Higiene e cosméticos - R$ 11,5 bilhões

Cigarros - R$ 10,5 bilhões

Celulares - R$ 10,5 bilhões

Suplementos alimentares - R$ 10 bilhões

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