PF descarta fogo amigo e conclui que PM matou delegado durante operação no RS
Michel Brasil Saliba foi morto durante o cumprimento de um mandado em julho, em Passo Fundo

A Polícia Federal concluiu o inquérito sobre a morte do delegado Michel Brasil Saliba e confirmou que os tiros fatais partiram da arma de um policial militar, descartando a hipótese de fogo amigo, quando a vítima é atingida por integrantes da própria equipe. O crime ocorreu em 2 de julho, em Passo Fundo, no norte do Rio Grande do Sul, durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na casa desse oficial. O PM, que permanece preso, foi indiciado por homicídio doloso qualificado e por três tentativas de homicídio contra os demais agentes que participavam da ação.
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De acordo com a PF, a conclusão do caso foi embasada em laudos periciais de local, análises balísticas e de DNA, além do estudo de microvestígios, extração de dados eletrônicos, imagens de câmeras de segurança e depoimentos. Os investigadores destacaram que a equipe policial estava devidamente uniformizada e anunciou sua condição funcional antes e durante a entrada na residência. A operação, liderada pelo próprio delegado Saliba, tinha como alvo a companheira do PM e buscava desarticular um sistema financeiro paralelo utilizado para sustentar um esquema de contrabando de mercadorias vindas de Miami, nos Estados Unidos.
Durante a abordagem no apartamento, além do delegado, que faleceu no dia seguinte no hospital, um segundo agente da Polícia Federal ficou ferido no ataque. O inquérito foi finalizado e encaminhado ao Ministério Público Federal e ao Poder Judiciário. A defesa do policial militar suspeito, que na época dos fatos estava em licença, declarou por meio de nota que confia na imparcialidade da Justiça e afirmou que o processo provará que o soldado não corresponde à imagem retratada pela investigação. O delegado Michel Brasil Saliba, que atuava na delegacia do Chuí, na fronteira com o Uruguai, era casado e deixou dois filhos.
