Pesquisa aponta que chifre de veado pode acelerar recuperação de ossos fraturados
Estudos anteriores já haviam demonstrado que os chifres de veado possuem propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e neuroprotetoras

Cientistas das universidades de Washington (EUA) e Ningbo (China) identificaram que compostos bioativos extraídos de chifres de veado podem reduzir significativamente o tempo de cicatrização de fraturas ósseas. Em testes com camundongos, a aplicação dos polipeptídeos da galhada (DAPs) encurtou o período de recuperação para menos da metade do tempo habitual. O estudo foi publicado em maio de 2026 no Journal of Orthopaedic Translation, periódico especializado em pesquisas translacionais na área ortopédica.
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Os pesquisadores, liderados por Yunfan He e Chenjie Xia, submeteram camundongos a fraturas na tíbia e administraram os DAPs por via oral na dose de 50 mg/kg/dia. Em uma semana, os ossos já estavam unidos — processo que normalmente leva de duas a três semanas. Aos 21 dias, a fratura estava completamente cicatrizada, ante os cerca de 40 dias do processo convencional.
A análise por cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas (LC-MS/MS) identificou 303 peptídeos funcionais e 32 metabólitos diferentes nos chifres. Os testes revelaram que os DAPs atuam ativando o eixo neurosensorial PGE2/EP4/p-CREB, uma via de sinalização que estimula a formação óssea. A ativação desse mecanismo aumenta a produção de prostaglandina E2 (PGE2) no local da fratura, que por sua vez ativa receptores EP4 em nervos sensoriais, promovendo a osteogênese, o processo de formação de novo tecido ósseo.
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De acordo com os autores, há uma estimativa de 170 milhões de novas fraturas por ano no mundo, das quais cerca de 5% a 10% evoluem para cicatrização retardada ou não consolidação. Os tratamentos atuais, como imobilização e fixação cirúrgica, estabelecem estabilidade mecânica, mas não fornecem a estimulação biológica essencial para a regeneração óssea. O estudo sugere que os DAPs podem preencher essa lacuna, oferecendo um candidato bioativo para o desenvolvimento de terapias que acelerem a recuperação de fraturas e outros defeitos ósseos na prática clínica.
Os chifres de veado são utilizados na medicina tradicional do Leste Asiático há milhares de anos para fortalecer ossos e tratar doenças ortopédicas. Segundo os pesquisadores, a descoberta abre caminho para o desenvolvimento de novos tratamentos que poderiam beneficiar milhões de pacientes em todo o mundo, especialmente aqueles com fraturas de difícil cicatrização.
Estudos anteriores já haviam demonstrado que os chifres de veado possuem propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e neuroprotetoras. A nova pesquisa, no entanto, é a primeira a identificar com precisão os peptídeos responsáveis pela aceleração da regeneração óssea e o mecanismo pelo qual eles atuam. A equipe agora planeja avançar para testes em modelos animais maiores e, posteriormente, em ensaios clínicos com humanos.
