Padrasto que pesquisou na internet sobre enforcamento de criança é condenado por matar enteado de 4 anos em SC
Richard da Rosa Rodrigues foi considerado culpado pelos crimes de homicídio qualificado e tortura em Florianópolis

O Tribunal do Júri de Florianópolis (SC) condenou Richard da Rosa Rodrigues a 44 anos de prisão em regime fechado pelo homicídio e pela tortura do seu enteado, de apenas 4 anos. A sentença foi proferida na noite de quinta-feira (3) e confirmada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), encerrando uma sessão de julgamento que se estendeu por mais de 14 horas. A condenação abrangeu as qualificadoras de homicídio praticado por motivo torpe, meio cruel, contra menor de 14 anos e com aumento de pena por ter sido cometido pelo padrasto, além do crime de tortura contra criança aplicado por quatro vezes.
LEIA MAIS: Suspeito de dar 60 facadas em indígena é preso após inocentes serem soltos no Paraná
O crime ocorreu em 17 de agosto de 2025, na residência onde o menino vivia com a mãe e o réu, na região Sul da Capital. Conforme a denúncia do MPSC, o garoto sofreu diversos golpes contundentes que provocaram sua morte enquanto estava sob os cuidados do padrasto. O caso veio à tona após a vítima ser levada ao Multi-hospital da cidade desacordada e em parada cardiorrespiratória. Durante as investigações, a polícia encontrou no celular de Richard uma pesquisa ativa em um aplicativo de inteligência artificial realizada no próprio dia da morte da criança, com a pergunta sobre o que acontecia ao enforcar prolongadamente uma criança.
O histórico do caso aponta que o menino era submetido a episódios recorrentes de violência e sofrimento físico e mental na residência, sendo um dos episódios de tortura registrado em abril de 2025. Na época do crime, relatórios policiais identificaram trocas de mensagens entre a mãe da vítima e o padrasto, demonstrando que as agressões aconteciam com o conhecimento dela. A mãe do garoto também chegou a ser denunciada pelo Ministério Público. Embora a denúncia contra ela tenha sido inicialmente rejeitada pelo Juízo local, o Tribunal de Justiça aceitou o recurso do MPSC para dar andamento ao processo, que agora aguarda o julgamento de embargos infringentes apresentados por sua defesa.
Após a decisão do Júri, a defesa de Richard da Rosa Rodrigues, representada pelo advogado Leonardo de Souza Moretto, informou que o caso possui alta complexidade e que analisará detalhadamente os autos dentro do prazo legal para decidir se recorrerá da sentença. Segundo a defesa, o objetivo é garantir que o réu responda de forma proporcional aos atos praticados. A defesa da mãe da vítima declarou que não iria se manifestar sobre a condenação do padrasto e que aguarda a análise do recurso sobre a situação jurídica de sua cliente.
