Operação 'Falso Match' prende quatro suspeitos de atrair homens gays para cativeiros no Paraguai
Criminosos marcavam encontros em Cidade do Leste e mantinham as vítimas reféns para forçar transferências via Pix

Quatro pessoas, incluindo um adolescente, foram presas nesta quinta-feira (20) em Cidade do Leste, no Paraguai, durante a operação "Falso Match", que desarticulou um grupo criminoso especializado em atrair homens gays por meio de um aplicativo de namoro para assaltá-los e sequestrá-los. Os mandados de busca foram cumpridos no bairro San Rafael, apontado como base de atuação da quadrilha, onde os policiais apreenderam celulares, roupas e porções de maconha prontas para venda.
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A investigação aponta que os criminosos tinham como alvo principal os estrangeiros, especialmente brasileiros e europeus. Segundo a Polícia Nacional do Paraguai, o modo de agir da quadrilha seguia um roteiro estabelecido: a vítima era buscada no ponto de encontro combinado e levada para áreas isoladas, onde comparsas armados realizavam a abordagem. As vítimas eram então assaltadas e mantidas em cativeiro por horas, sob ameaças e agressões, sendo obrigadas a realizar transferências financeiras via Pix ou até mesmo a contratar empréstimos bancários. De acordo com as autoridades paraguaias, golpes com essa dinâmica são comuns no bairro San Rafael e cerca de 95% dos alvos registrados na região são cidadãos brasileiros.
Dois casos recentes ilustram a gravidade das ações do grupo. Em um deles, um turista francês hospedado em Foz do Iguaçu atravessou a fronteira de motocicleta para um encontro, mas foi cercado por cerca de dez homens armados e levado para as margens do Rio Paraná. Ele permaneceu refém por mais de 24 horas e foi forçado a transferir o equivalente a R$ 40 mil. A identificação dos suspeitos só foi possível porque pessoas que acompanhavam o francês fotografaram a motocicleta usada para buscá-lo. Em outra ocorrência, um trabalhador paranaense foi levado para uma área de mata, onde sofreu agressões e ameaças de morte durante 12 horas de cárcere, amargando um prejuízo de aproximadamente R$ 100 mil.
As investigações prosseguem para identificar outros membros do grupo e mapear o caminho do dinheiro roubado. O rastreamento das transações bancárias, no entanto, deve levar tempo devido à burocracia envolvendo a quebra de sigilo de contas em países diferentes, conforme explicou o comissário Nimio Cardozo, chefe da Polícia Nacional do Paraguai.
Diante da recorrência dos casos, as autoridades policiais reforçam a recomendação para que usuários de aplicativos de relacionamento adotem medidas preventivas rigorosas, como o compartilhamento da localização em tempo real, dos dados da pessoa com quem vão se encontrar e das características dos veículos de transporte com amigos ou familiares de confiança.
Com informações: G1
