Mulher se arrepende de cirurgia que aumentou seios com gordura de gente morta
O procedimento, chamado AlloClae, consiste em injeções de um preenchedor feito a partir de gordura humana doada, processada e esterilizada

A moda estética que promete aumentar os seios em menos de uma hora com gordura de doadores falecidos está no centro de uma disputa judicial nos Estados Unidos, enquanto pacientes relatam efeitos colaterais graves.
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O procedimento, chamado AlloClae, consiste em injeções de um preenchedor feito a partir de gordura humana doada, processada e esterilizada. É vendido como uma alternativa rápida e não cirúrgica aos implantes tradicionais ou à lipoaspiração. O produto é desenvolvido pela Tiger Aesthetics e foi lançado nos EUA em 2024 para uso por cirurgiões plásticos certificados. Os valores variam de US$ 10 mil a US$ 100 mil (cerca de R$ 52 mil a R$ 520 mil), dependendo da quantidade aplicada.
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Em entrevista ao New York Post, a mulher identificada como Nicole, moradora da Califórnia com cerca de 40 anos, contou que seu sonho de um novo corpo se transformou em um pesadelo. Ela já havia gasto quase US$ 20 mil em dois enxertos de gordura anteriores, que não deram resultado. Ao ver uma postagem sobre o AlloClae no Instagram, ela desembolsou US$ 10 mil pelo procedimento.
Hoje, Nicole descreve seus seios como "a superfície da Lua". "Deito-me na cama todas as noites e toco nos caroços, nas pedrinhas", disse ela. O resultado foi o desenvolvimento de nódulos duros como pedra e cistos oleosos, que ela afirma serem impossíveis de remover cirurgicamente. O coro de arrependimento cresce na internet. Outra mulher afirmou ter desenvolvido cistos recorrentes em ambos os seios após pagar cerca de US$ 14 mil pelo produto.
Além das reclamações de pacientes, o AlloClae é alvo de uma disputa judicial entre a Tiger Aesthetics e o Departamento de Saúde do Estado de Nova York. O órgão acusou a empresa de "contrabandear" o produto para o estado sem as licenças necessárias. Em resposta, a Tiger Aesthetics processou o departamento, alegando que o produto é regulamentado pela FDA e não requer aprovação prévia. A empresa suspendeu voluntariamente a distribuição do produto em Nova York.
Em nota, uma porta-voz da Tiger Aesthetics afirmou que o produto não é "isento de riscos", mas destacou que qualquer procedimento estético apresenta riscos.
A Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos recomenda que pacientes que considerem o uso de produtos de tecido humano consultem um cirurgião plástico certificado. Já o Conselho Regional de Medicina de São Paulo alertou que não há estudos científicos que comprovem a segurança e a eficácia do procedimento.
