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Morre Silvano Raia, pioneiro nos transplantes de fígado, aos 95 anos

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Morreu aos 95 anos o médico Silvano Mário Attílio Raia, conhecido internacionalmente na área de transplantes. O falecimento foi confirmado pela Academia Nacional de Medicina (ANM).

"Raia foi um dos maiores nomes da medicina brasileira e latino-americana, reconhecido por sua trajetória marcada pela excelência, inovação e dedicação inabalável ao ensino e à assistência médica", diz a ANM na nota de pesar.

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Segundo a instituição, o cirurgião faleceu em decorrência de problemas pulmonares.

1º transplante de fígado de doador vivo no mundo

Raia se formou em 1956 na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), onde também foi professor por mais de 40 anos.

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Pioneiro na realização de transplantes de fígado na América Latina, ele conduziu procedimentos históricos no Hospital das Clínicas, onde criou a Unidade de Fígado.

Foi Raia quem liderou o primeiro transplante hepático com doador falecido na América Latina e, em 1988, realizou o primeiro transplante do órgão com doador vivo descrito na literatura mundial. A técnica "ampliou possibilidades terapêuticas e passou a salvar milhares de vidas", como destaca o Ministério da Saúde em nota de pesar.

"Junto ao Ministério da Saúde, contribuiu para a estruturação e expansão da rede de transplantes no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), apoiando a qualificação de equipes, a implantação de serviços e a ampliação do acesso da população a procedimentos de alta complexidade em todo o País", ressalta a pasta.

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Nos últimos anos, o cirurgião dedicava-se intensamente às pesquisas em xenotransplante, técnica que utiliza órgãos de animais geneticamente modificados para transplante em humanos. Em março deste ano, ele liderou uma iniciativa da USP que resultou na clonagem do primeiro porco na América Latina, com o objetivo de fornecer órgãos para o SUS.

Formação de gerações

Ao longo de sua carreira, Raia publicou 106 trabalhos no Brasil e 47 no exterior, além de contribuir com capítulos em livros.

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O professor, além disso, orientou 12 dissertações de mestrado, 13 teses de doutorado e três trabalhos de livre-docência.

"Sua atuação foi decisiva para a formação de gerações de médicos e para o avanço da ciência, sempre pautada pela inovação, pelo rigor acadêmico e pelo compromisso com a vida", enfatiza a FMUSP.

O velório, aberto ao público, acontece nesta terça-feira, 28, das 15h às 20h, na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

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