Monique acusa Jairinho pelo crime e diz suspeitar ter sido dopada na noite do assassinato
Professora foi ouvida nesta terça-feira (2) no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, onde negou ter conhecimento prévio das agressões

A professora Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel, afirmou nesta terça-feira (2) que suspeita ter sido dopada pelo então namorado, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, na madrugada em que a criança foi assassinada, em março de 2021. Ré por omissão no processo que julga o crime, ela prestou depoimento no nono dia do júri, no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ). Durante a oitiva, Monique mudou o tom em relação ao ex-companheiro, acusado de torturar a criança, e admitiu acreditar que ele é o responsável pelo homicídio. Ao ser questionada pela juíza Elizabeth Machado Louro se Jairinho matou o menino, ela respondeu que "acho que pode ter sido", e foi categórica ao negar conivência: “Se eu soubesse de algo, eu estaria aqui sendo julgada pela morte do Jairinho”.
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Ao detalhar o dia do crime, em 8 de março de 2021, Monique contou que Henry dormia no quarto do casal, enquanto ela e Jairinho foram para outro cômodo. A professora relatou que o ex-vereador tinha a prática de lhe dar remédios para dormir “para que ela não conversasse com outros homens enquanto ele estava dormindo”. Naquela madrugada, ela narrou ter sido acordada por volta das 3h40 pelo então namorado, que alegou ter ouvido um barulho e encontrado o menino no chão, com dificuldade para respirar. No hospital, após duas horas e meia de tentativas de ressuscitação, a ré afirmou ter vivido um pesadelo, mas que acreditou na versão de acidente porque a criança chegou à unidade de saúde com o corpo "branquinho", sem marcas. “Na minha cabeça, como não tinha nenhum sinal, então, só podia ser uma queda da cama”, explicou.
A acusada também rebateu a tese do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) de que era omissa em relação às torturas. Monique descreveu o relacionamento com Jairinho como abusivo, revelando ter sofrido uma tentativa de enforcamento em uma “crise de ciúme mais grave”, mas garantiu que não percebia os maus-tratos contra o filho. “Pode ser muita burrice, mas em nenhum momento pensei que ele pudesse fazer qualquer tipo de agressão ao meu filho”, declarou. Ela confirmou que, no fim de janeiro, Henry reclamou com o pai biológico de ter recebido “um abraço forte do tio” e que, em outra ocasião, relatou ter levado uma rasteira (banda) e um soco na cabeça (moca) do padrasto. Ao confrontar o ex-vereador, ele teria minimizado a situação, dizendo que era brincadeira, que ela mimava a criança e que o menino “viraria veadinho”. Após o episódio, ela passou a evitar deixá-los a sós.
A professora negou veementemente a versão apresentada pela babá Thayná de Oliveira Ferreira, que depôs afirmando ter avisado a mãe sobre agressões no dia 2 de fevereiro. “Ela falou que contou no mesmo dia, é mentira! Se tivesse contato, eu nunca deixaria os dois juntos", disse Monique. Sobre a troca de mensagens de 12 de fevereiro, em que a funcionária relatou que o menino estava trancado com o padrasto e reclamava de dores, a ré admitiu ter ficado "apavorada", mas justificou: “Em nenhum momento achei que meu filho tinha sido agredido. Não queria que ele se comunicasse da forma rígida que ele era”. Ela refletiu que, hoje, acredita que "houve, sim, alguma coisa com o meu filho dentro do quarto". Monique também garantiu não ter ordenado a exclusão das mensagens no celular da funcionária. “Eu tenho prova de que não mandei ela apagar as mensagens. Por que eu mandaria apagar, se eu tinha os prints no meu telefone?”, questionou, atribuindo a ordem à família de Jairinho.
Por fim, a ré relatou que, dias antes de o casal ser preso, em 7 de abril de 2021, confrontou o ex-companheiro sobre a morte de Henry. “Eu realmente dei alguns tapas no rosto dele e falei ‘você matou meu filho’”, relembrou, acrescentando que, em resposta, Jairinho pegou uma Bíblia e jurou nunca ter encostado um dedo na criança. A acusada também isentou-se da responsabilidade pelo descarte dos telefones celulares do casal, que foram arremessados pela janela com a chegada dos investigadores, afirmando que "estava dormindo" no momento da ação.
