Milhares de imigrantes do Marrocos e entram em Ceuta na Espanha a nado
Sem conseguir conter o fluxo na fronteira, policiais liberam entrada enquanto Espanha e Marrocos negociam protocolo para retorno imediato
Milhares de imigrantes vindos do Marrocos cruzaram a fronteira e chegaram nesta quinta-feira (30) à cidade autônoma de Ceuta, enclave espanhol situado no norte da África. Imagens de vídeo gravadas no local mostram uma multidão ocupando a orla marítima após realizar a travessia entre os dois países a nado ou a pé. Diante do expressivo fluxo de pessoas, forças policiais não conseguiram conter o avanço e precisaram abrir os portões de segurança, liberando o acesso ao território, onde centenas de jovens também foram vistos escalando as cercas de proteção.
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A chegada massiva desta quinta-feira intensifica uma crise que já vinha se desenhando na região, onde mais de 1,5 mil pessoas desembarcaram ao longo da última semana. O aumento repentino provocou a superlotação do centro de acolhimento local, que já operava acima de sua capacidade máxima de 512 vagas, deixando centenas de migrantes aguardando triagem. Diante da pressão sobre a infraestrutura da cidade, o prefeito Juan Jesus Vivas solicitou o apoio do Exército e voltou a solicitar ao primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, a decretação de estado de emergência.
Para alinhar as ações de contingência, o ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, confirmou viagem ao enclave nesta sexta-feira (31) para se reunir com chefes de segurança e lideranças locais. Em nota oficial, os governos da Espanha e do Marrocos informaram ter firmado compromisso para reforçar a coordenação de fronteiras e aplicar medidas voltadas ao retorno imediato das pessoas que entraram de forma ilegal no território.
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A aplicação de devoluções imediatas, contudo, enfrenta entraves jurídicos. Há três semanas, o Supremo Tribunal da Espanha proibiu a devolução sumária de migrantes interceptados no mar durante tentativas de travessia a nado para Ceuta e Melilla. Localizadas no norte africano, em frente ao Estreito de Gibraltar, as duas cidades representam o único limite terrestre da União Europeia com o continente e são alvos frequentes de rotas migratórias rumo à Europa.

