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Médico é preso suspeito de estuprar pacientes em consultas em Goiânia

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Um médico foi preso na quinta-feira, 23, em Goiânia (GO), suspeito de ter praticado uma série de estupros de vulnerável contra pacientes durante consultas. De acordo com a Polícia Civil, até esta sexta-feira, 24, foram identificadas 23 vítimas do ginecologista Marcelo Arantes e Silva, sendo 10 em Goiânia e 13 em Senador Canedo (GO). A defesa diz que o médico é inocente.

A prisão preventiva, ou seja, por tempo indeterminado, foi cumprida na casa do médico, na capital goiana. Ele foi levado para o presídio de Senador Canedo pelos policiais da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), responsável pela investigação. Em um dos casos na cidade onde está preso, o médico já foi denunciado pelo Ministério Público.

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Segundo a polícia, o primeiro registro de crimes sexuais atribuídos ao médico ocorreu em 2017, em Senador Canedo. Em 2020, outra vítima procurou a Delegacia da Mulher de Goiânia também relatando que havia sido estuprada. Mais recentemente, no começo de março, novas vítimas procuraram a polícia.

"Naquela ocasião, negou-se a (prisão) preventiva. Posteriormente, percebeu-se que se tratava de um predador sexual e que hoje conta com 23 vítimas. Diante dessa escalada, a delegacia representou novamente pela prisão, que foi cumprida na data de ontem quinta-feira, 24", afirmou a delegada Amanda Menuci, da Deam de Goiânia. "Seguimos com as investigações abertas a ouvir eventuais novas vítimas", explicou.

Segundo os relatos das vítimas, o ginecologista realizava vários exames de toque sem vinculação médica, além de outros atos libidinosos sem consentimento. "Ele aproveitava o momento de vulnerabilidade das vítimas, de mulheres que passam por procedimentos ginecológicos e ficam fisicamente e emocionalmente expostas", disse a delegada Gabriela Moura, da Deam de Senador Canedo.

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Ela contou ainda que, apesar da suspensão do registro profissional do médico, a polícia pediu a prisão preventiva considerando o "grande potencial de reincidência". "Em razão desse perfil predatório e repetitivo, a Deam pediu a prisão por considerar que apenas a suspensão do CRM não seria suficiente para garantir que ele não iria reincidir. É uma pessoa que em qualquer oportunidade e sob qualquer pretexto vai voltar a cometer os mesmos crimes", disse a delegada.

Procurado pelo Estadão, o Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) informou que o registro do médico está suspenso por ordem judicial. "Sobre as acusações contra o profissional, o Cremego ressalta que todas as denúncias relacionadas à conduta ética de médicos, recebidas ou das quais toma conhecimento, são apuradas e tramitam em total sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional Médico. O Cremego também solicita esclarecimentos ao médico responsável técnico pela instituição citada nas denúncias", afirmou.

Defesa questiona prisão e alega inocência

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Em nota, a defesa do médico ginecologista disse entender "como desnecessário" o pedido de prisão. "Primeiramente, porque tem plena confiança em sua inocência. Em segundo lugar, porque ele já se afastou do exercício da profissão e tem contribuído integralmente com a Justiça em todo o curso da investigação", diz o texto.

No comunicado, os advogados Rodrigo Lustosa, Nara Fernandes e Frederico Machado criticaram a "exposição antecipada do nome e da imagem do investigado, bem como imputações a ele ainda não atribuíveis por meio de acusação formal". Segundo eles, isso pode induzir a um contexto de "condenação antecipada, com sérios riscos de produzirem danos potencialmente irreversíveis à sua reputação".

"A defesa assevera, ainda, tratar-se o investigado de profissional de saúde bem conceituado em sua área de atuação, probo e ético. Prevalece a convicção de que ele será mais uma vez absolvido, como já ocorreu em um dos processos", informou a nota.

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