Mãe e padrasto são suspeitos de agredir bebê com colher de pau e colocar rosto dele em água quente
Menino sofreu traumatismo craniano grave e hemorragias nas retinas; delegado que investiga caso descreve torturas como "cenário de terror"

A Polícia Civil prendeu preventivamente uma mulher de 20 anos e seu companheiro, de 33, suspeitos de torturarem um bebê de apenas um ano em São João da Boa Vista, no interior de São Paulo. O caso, classificado pelo delegado Fabiano Antunes de Almeida como um verdadeiro "cenário de terror", envolveu agressões com colher de pau, caminhadas forçadas, enforcamentos e a submersão do rosto da criança em uma bacia com água quente. A violência contínua durou pelo menos quatro meses e culminou na prisão do casal por tortura e tentativa de homicídio qualificado contra menor de 14 anos.
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O episódio mais extremo de violência ocorreu em 19 de junho, quando a criança sofreu um traumatismo craniano grave, hematoma subdural e extensas hemorragias nas retinas. Para justificar os ferimentos no momento do socorro, a mãe e o padrasto alegaram aos médicos que o menino havia caído da cama. A perícia, no entanto, apontou logo em seguida que as lesões eram incompatíveis com a versão de uma simples queda. Devido ao rebaixamento extremo do nível de consciência, o bebê foi socorrido pelo Samu e levado à Santa Casa da cidade, onde sofreu uma parada cardiorrespiratória e precisou ser transferido com urgência para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital em Campinas.
A elucidação dos crimes foi consolidada a partir da análise minuciosa de documentos médicos e da quebra do sigilo telefônico dos suspeitos. Nos aparelhos celulares apreendidos, os investigadores encontraram mensagens trocadas pelo casal que detalhavam e comprovavam as agressões contínuas contra a vítima. Durante as buscas realizadas no apartamento da família, os agentes policiais também localizaram e apreenderam uma arma de choque, algemas e uma arma falsa, materiais que reforçaram as evidências de violência física e psicológica.
Após permanecer um mês internado se recuperando das graves lesões neurológicas, o bebê recebeu alta hospitalar e foi entregue aos cuidados exclusivos do pai biológico. Os acusados passaram por audiência de custódia na terça-feira seguinte à prisão e permaneceram à disposição da Justiça. A defesa do casal informou à imprensa que ainda não teve acesso integral aos laudos periciais que motivaram as prisões e declarou que demonstrará a realidade dos fatos no decorrer do processo, que atualmente tramita sob segredo de Justiça.
