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'Lipedema não é biotipo, é doença', defende cirurgiã plástica no SPIW

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O lipedema é caracterizado pelo acúmulo simétrico (em ambos os lados) de tecido adiposo na parte inferior do corpo, principalmente nádegas, quadris e pernas, mas também pode afetar os membros superiores, poupando tronco, mãos e pés.

O quadro, que gera debates entre pacientes e especialistas, foi um dos pontos abordados no painel Além da Estética: As Novas Fronteiras da Cirurgia Plástica na Era da Tecnologia, nesta quinta-feira, 14, no São Paulo Innovation Week, festival global de tecnologia e inovação realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos.

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Para a cirurgiã plástica Juliana Tenório, participante do painel, o lipedema é uma doença, não um biotipo. Como mostrou o Pulsa, esse ainda não é um consenso entre os médicos, mas em um ponto não há discordância: o superdiagnóstico. Muitas mulheres são diagnosticadas sem de fato ter lipedema.

Isso acontece porque há um desconhecimento grande sobre o quadro. Apesar de o lipedema ter sido descrito pela primeira vez em 1940, ainda são poucos os estudos que conseguem definir formas precisas de identificá-lo e tratá-lo. Outro problema é que muitos profissionais tentam vender tratamentos caros e sem respaldo científico rotulados como "inovadores".

Na palestra, Juliana mencionou que, até pouco tempo atrás, muitas mulheres tinham o quadro confundido com obesidade e ficavam extremamente frustradas e constrangidas porque, mesmo fazendo o tratamento proposto, não conseguiam o resultado esperado.

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As condições, vale ressaltar, são diferentes - apesar de, muitas vezes, aparecerem em conjunto. A gordura do lipedema tem fibroses e nódulos característicos, que a distinguem da gordura da obesidade.

Tratamento

Apesar de dieta saudável e exercício físico serem partes fundamentais do tratamento do lipedema, algumas vezes não são suficientes para melhorar a aparência das pernas. Nesses casos, é preciso incluir medidas como a terapia descompressiva, com meias compressivas e drenagem linfática.

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Em casos graves, quando o tratamento conservador já foi tentado, pode ser indicada a cirurgia (lipoaspiração) nos membros afetados. "Mas vemos casos leves indo para procedimentos que podem ser perigosos", alertou o endocrinologista Bruno Halpern, vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), em entrevista ao Pulsa.

Não há um protocolo consolidado para o tratamento da condição, e cada caso deve ser avaliado individualmente.

"É importante ressaltar que ainda não foi estabelecido um regime terapêutico universalmente aplicável para o lipedema. Diversas intervenções demonstram potencial para alívio dos sintomas, mas a qualidade das evidências é variável. A heterogeneidade dos desenhos dos estudos, das populações de pacientes e dos critérios diagnósticos dificulta a comparação direta entre as diferentes modalidades de tratamento", afirma o Consenso da Aliança Mundial de Lipedema, ratificado por 71 especialistas de 19 países e publicado em janeiro na revista Nature Communications.

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Como não há cura, as intervenções terapêuticas visam aliviar os sintomas e prevenir ou retardar sua progressão. No momento, não há nenhum medicamento aprovado para o tratamento do quadro. Por isso, na maioria dos casos, o foco principal é manejar o sobrepeso ou a obesidade (condições que pioram o lipedema).

Médicos consultados pelo Pulsa criticam ainda protocolos que envolvem, por exemplo, o uso de radiofrequência, ultrassom, laserterapia, ledterapia, ozonioterapia e plataformas vibratórias. Esses são alguns exemplos de métodos sem literatura científica robusta comprovando que são capazes de melhorar os sintomas do lipedema.

SPIW

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O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, entre esta quarta-feira, 13, e sexta, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento, estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.

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