Karina Portugal: identidade digital e gerenciamento de risco na era da inteligência artificial
Executiva atua entre tecnologia, negócios e experiência do cliente na construção de estratégias de identidade digital e gerenciamento de risco

Karina Portugal atua com grandes bancos, fintechs e marketplaces nos Estados Unidos, no Brasil e na América Latina, liderando negociações de alto valor e trabalhando na interseção entre identidade digital, fraude, inteligência artificial e estratégia de negócios.
É Director of Banking, Marketplaces, Strategic Partnerships & Agentic Trust na Prove Identity, empresa americana de identidade digital, e atua como high-impact individual contributor, modelo comum em empresas de tecnologia para profissionais que exercem liderança por influência, escopo e execução, sem depender da gestão direta de uma equipe.
Na prática, conduz uma operação cross-functional que atravessa estratégia comercial, tecnologia, produto, finanças e jurídico, das primeiras conversas com o cliente à construção do business case e à negociação de contratos de milhões de dólares. Senta com o time de engenharia para entender como uma solução é construída e onde estão seus limites, com o financeiro porque toda decisão precisa ser traduzida em números, e com o jurídico, onde cada cláusula de um contrato de milhões de dólares pode ter consequências.
O trabalho, no entanto, não começa pelo contrato. Começa pela escuta. Quando se reúne com uma dessas instituições, procura entender onde existe perda financeira, fraude, custo operacional alto, processos manuais, abandono, queda de conversão ou alguma limitação que esteja impedindo aquela organização de tomar uma decisão melhor. Também busca saber o que já é utilizado, o que não está funcionando como deveria, qual indicador precisa mudar e quanto vale resolver aquele problema.
Só depois disso entram a tecnologia e o business case. É uma abordagem consultiva em que o produto é a última coisa a entrar na conversa. "Eu não entro numa reunião pensando 'qual produto eu vou vender?'", diz ela. "Eu entro pensando: qual problema esse cliente precisa resolver, quanto esse problema custa e onde eu consigo gerar valor."
Boa parte das oportunidades construídas ao longo da carreira nasceu desse processo de discovery, e não de uma demanda pronta. O cliente pode chegar com um pedido específico, mas responder apenas àquela solicitação muitas vezes resolve uma parte pequena do problema. A partir daí, a conversa se aprofunda: por que aquilo é prioridade, onde está a perda financeira, quanto custa hoje, qual indicador precisa mudar e o que já foi tentado.
Uma discussão que começa em um ponto pode se transformar em uma oportunidade mais ampla envolvendo identidade, risco, experiência ou novas possibilidades de parceria. Nas partnerships, a lógica é semelhante: identificar quando duas empresas estão resolvendo partes diferentes de um mesmo problema e propor uma conexão entre elas.
"O meu papel é conectar dor de negócio, impacto econômico, tecnologia e pessoas", resume. "É aí que uma conversa estratégica deixa de ser apenas uma discussão e começa a virar uma oportunidade de negócio."
Uma visão entre mercados
A atuação com o mercado brasileiro, o mercado americano e outros mercados da América Latina também proporciona uma perspectiva sobre como diferentes instituições enfrentam problemas semelhantes de identidade, risco e experiência do cliente.
"Trabalhar com o mercado brasileiro e o mercado americano me permite ver como instituições em mercados diferentes atacam problemas semelhantes de identidade, risco e experiência do cliente", diz. "Eu consigo levar aprendizados de um mercado para o outro sem assumir que a mesma solução funciona da mesma forma em todos os lugares."
Essa comparação também reforça uma preocupação presente em seu trabalho: combater fraude não significa necessariamente adicionar mais etapas à jornada do consumidor. Segurança, negócio e experiência precisam ser considerados em conjunto.
Fluência entre tecnologia e negócio
A trajetória profissional não começou na engenharia, mas a fluência técnica foi construída de forma intencional. A executiva fez formação em Stanford University e Wharton School e continua estudando temas relacionados à tecnologia, incluindo coding e supervisão de agentes de inteligência artificial.
O objetivo não é escrever código, mas sustentar conversas técnicas com times de engenharia e compreender o que uma tecnologia de fato pode entregar antes de levá-la a um cliente.
Esse trânsito entre diferentes áreas também é parte da atuação. Sem entender o produto, existe o risco de prometer o que não existe. Sem compreender o impacto financeiro, uma proposta não se sustenta para quem aprova o orçamento. E, sem entender o contrato, uma negociação pode esconder consequências importantes.
A parte mais recente desse trabalho está ligada ao chamado agentic trust. Com agentes de inteligência artificial cada vez mais capazes de pesquisar, comparar e executar ações em nome das pessoas, a questão da identidade ganha uma nova dimensão. Não basta saber se o usuário é quem diz ser; é preciso entender se o agente continua agindo dentro do que foi autorizado a fazer.
"O desafio é garantir que o agente continue operando dentro do escopo que a pessoa autorizou, sem depender de human-in-the-loop a cada etapa", explica. "Se cada ação exige supervisão humana, você perde justamente parte da autonomia e da eficiência que tornam os agentes úteis."
Entre tecnologia, negócio, risco e experiência do cliente, a atuação segue uma lógica que começa antes da solução: entender a dor, dimensionar seu impacto e conectar as pessoas e áreas necessárias para transformá-la em uma oportunidade concreta
