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Juiz decreta prisão preventiva de seis por tentativa de fraude em licitação ambiental

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A Justiça decretou a prisão preventiva da ex-secretária do Meio Ambiente de Bauru Cilene Chabuh Bordezan, do executivo Hamilton Libório Agle, da empresa Estre Ambiental, e de mais quatro alvos da Operação Cavalo de Troia, investigação do Ministério Público de São Paulo que aponta suposta tentativa de fraude de uma licitação de R$ 5,2 bilhões para coleta de resíduos sólidos pelo prazo de trinta anos no município.

Em sua decisão, o juiz Josias Martins de Almeida Júnior, da Vara Regional das Garantias, anotou que "a liberdade dos agentes coloca em risco iminente a integridade psíquica de testemunhas e a colheita escorreita dos elementos informativos remanescentes, ante a fundada possibilidade de alinhamento de versões, cooptação de servidores, ocultação de rastros telemáticos e destruição de provas físicas ou digitais, inclusive mediante comandos remotos de apagamento em nuvens digitais ainda sob perícia".

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O Estadão pediu manifestação da defesa de Cilene e de Agle, presos no dia 9, inicialmente em caráter temporário, agora preventivamente. Por ordem da prefeita Suéllen Rosim (PSD), Cilene foi exonerada com outros assessores de confiança supostamente ligados à trama. Suéllen não é alvo da operação. A prefeitura de Bauru informou que "respeita integralmente a atuação do Ministério Público e as investigações" e se põe à disposição para colaborar com documentos e informações. A administração destacou que "conforme os elementos conhecidos não há qualquer apontamento de participação ou envolvimento da chefe do Executivo".

A Estre Ambiental informou que "reafirma seu compromisso com a ética e a transparência" e permanece "à disposição das autoridades competentes colaborando com os esclarecimentos necessários".

A fraude malogrou porque o Tribunal de Contas do Estado suspendeu o edital bilionário.

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O juiz destaca a existência de "ilícitos de excepcional gravidade que produzem forte repercussão no meio social, cujos efeitos lesivos propagam na coletividade um sentimento de insegurança e de impunidade". Para ele, a conveniência da instrução criminal e a garantia da ordem pública encontram-se "igualmente fragilizadas diante da audácia demonstrada pelo grupo na manipulação de órgãos de apoio técnico, no constrangimento a servidores públicos e na intimidação de impugnantes".

Também foi decretada a prisão preventiva de outros quatro alvos da Cavalo de Troia: Sara Moura de Jesus, ex-secretária municipal adjunta do Meio Ambiente e ex-funcionária da Estre; Talita de Andrade Soares Chieregatti, funcionária da empresa; Vitor João de Freitas Costa, ex-secretário municipal dos Negócios Jurídicos,em cuja residência os investigadores apreenderam R$ 240 mil em dinheiro em espécie, montante expressivo cuja existência se alinha temporal e tematicamente às tratativas de vantagens econômicas investigadas; e Mário Luiz Silvério, coordenador técnico ligado à FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

Segundo os promotores do Gaeco - braço do Ministério Público que combate o crime organizado e conduz a Operação Cavalo de Troia - "servidores incumbidos da análise de recursos administrativos sofriam pressões diretas e constrangimentos oriundos dos investigados".

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Os promotores sustentam que Cilene Bordezan, então secretária do Meio Ambiente, "operava como autêntica preposta privada da empresa Estre Ambiental no seio da administração municipal". Diálogos interceptados comprovam, segundo a investigação, "sentimento de apropriação do certame". Ela se referia ao negócio como "minha concessão". Os promotores apontam para "alinhamento de diretrizes e prazos com o dirigente privado Hamilton Libório Agle", a quem ela chama de "amorzinho".

"Além disso, restou descortinada movimentação patrimonial e rotina de gastos pessoais entre R$ 77 mil e R$ 80 mil mensais, incompatíveis com o subsídio do cargo", diz a investigação sobre a rotina financeira de Cilene.

A ex-secretária mantinha "encontros reservados" na sede da Estre em São Paulo e em base operacional clandestina mantida no Edifício Prime Square em Bauru, reconhecida por ela própria como "no prédio que a gente tem o escritório", diz a investigação. Dados extraídos do aparelho celular de Mário Luiz Silvério revelam que Cilene participava diretamente da elaboração e aprovação de minutas de respostas da FIPE e do Município a impugnações e ao Tribunal de Contas, alegam os promotores. "Manda bala", ela escreveu certa vez.

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Hamilton Libório Agle, sócio e dirigente da Estre Ambiental, exercia o comando das "ações espúrias da associação", segundo o Ministério Público. "Discutia a modelagem econômica e a Taxa Interna de Retorno de 35% a 45%, custeava despesas de agentes públicos locais, a exemplo do jantar no restaurante Le Vess Bistrô no importe de R$ 1.893,87, e pernoitava habitualmente na residência da titular da pasta."

Ainda de acordo com a Operação Cavalo de Troia, Hamilton Agle encaminhou impugnações diretamente ao consultor da FIPE para "forjar credibilidade perante os órgãos fiscalizadores".

Ao impor regime de prisão preventiva (sem prazo para terminar) a Hamilton Agle e aos outros integrantes do grupo, o juiz Josias Martins de Almeida Júnior assinalou. "A descoberta de novas evidências no curso da instrução demonstra que o perigo gerado pelo estado de liberdade do investigado evoluiu. Quanto ao demais investigados, entendo que o periculum libertatis resta, de igual modo, presente, e expressa-se na garantia da ordem pública (por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal) e, ainda, na imperiosa necessidade de estancar a atividade delitiva e desarticular a estrutura funcional da associação criminosa. A gravidade concreta das condutas sob análise transborda largamente os lindes do tipo penal abstrato."

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O magistrado afirma que a Operação Cavalo de Troia descobriu uma engrenagem criminosa estável e sofisticada, montada entre agentes públicos graduados e operadores econômicos de grande porte para direcionar contratação pública bilionária de serviços essenciais de saneamento e manejo de resíduos urbanos, comprometendo as finanças públicas municipais por três décadas. "O perigo gerado pelo estado de liberdade dos investigados revela-se nítido na capacidade concreta de articulação, de cooptação e de reiteração."

Para Almeida Júnior, a prisão preventiva mostra-se igualmente necessária para o resguardo da ordem econômica municipal, haja vista o expressivo poder aquisitivo ostentado por Hamilton Libório Agle e pelo conglomerado econômico sob seu controle, somado à intensa e comprovada circulação de vultosas quantias em dinheiro em espécie entre os integrantes da associação criminosa para o custeio de vantagens indevidas, pagamentos a agentes públicos e cooptação de terceiros.

O magistrado avalia que a contemporaneidade da medida é patente. "O requisito da contemporaneidade não se mede pelo transcurso cronológico estrito do fato inicial, mas pela persistência concreta da situação de risco e da atividade da organização", alerta. Segundo ele, mesmo após a publicação do edital e a suspensão cautelar do certame pelo Tribunal de Contas do Estado, os investigados prosseguiram articulando manobras de contorno, elaborando minutas fraudulentas de pareceres técnicos, promovendo o monitoramento de opositores, realizando reuniões clandestinas em outros municípios e articulando investidas contra agentes fiscalizadores e membros do Tribunal de Contas."

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Almeida Júnior argumenta que a especificidade dos delitos de natureza de corrupção, "sopesada com o expressivo aparato financeiro e logístico à disposição da organização criminosa e, consequentemente, do investigado, evidencia um risco real de ocultação de vestígios delitivos e de embaraço à colheita de depoimentos testemunhais". "A garantia da instrução criminal revela-se imperiosa, não sendo viável resguardá-la unicamente com amparo na presunção de boa-fé do investigado."

A Promotoria indica, ainda, a ativa liderança de Cilene "em articulações espúrias travadas para contornar a fiscalização do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, admitindo expressamente que o investigado Vitor João de Freitas Costa atuaria junto a amigos que têm preço e custam caro" perante aquela Corte de Contas para viabilizar a retomada do certame, afirmando com naturalidade que "se você tiver que pagar, a gente paga um pedágio a menos".

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