Idoso declarado morto em hospital de SP é encontrado respirando em funerária
Família recebeu a notícia de que o aposentado estava vivo enquanto separava as roupas para o enterro

Um idoso de 88 anos está internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após ter sido declarado morto por engano e ser encontrado vivo dentro de uma funerária no interior de São Paulo. O caso ocorreu no último sábado (16), envolvendo a Santa Casa de Presidente Bernardes, que emitiu o atestado de óbito, e uma empresa funerária de Presidente Prudente, onde os sinais vitais do paciente foram notados. A Polícia Civil abriu um inquérito na segunda-feira (18) para investigar os profissionais de saúde envolvidos por suspeita de omissão de socorro.
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A sequência de eventos começou na tarde de sábado, quando Juraci Rosa Alves, morador de Emilianópolis, sentiu falta de ar e palidez após realizar atividades domésticas. Preocupados, os familiares acionaram uma ambulância, que o levou à Santa Casa de Presidente Bernardes. Segundo o boletim de ocorrência, a médica de plantão declarou o óbito do idoso logo após o atendimento, registrando "insuficiência respiratória" como a causa da morte. A partir desse laudo, o corpo foi liberado e transferido para uma funerária em Presidente Prudente para os procedimentos de preparação do velório.
A reviravolta aconteceu no laboratório da funerária. Enquanto os agentes transferiam o idoso para a mesa de procedimentos, notaram movimentos incomuns na região abdominal e suspeitaram que ele ainda respirava. O processo foi interrompido imediatamente e a enfermeira responsável técnica da empresa foi acionada. Com o uso de equipamentos de medição, ela confirmou que o homem estava vivo e iniciou manobras de primeiros socorros para liberar as vias aéreas até a chegada de uma ambulância do Serviço de Atendimento Médico de Emergência (Same). A equipe de resgate precisou sedar e intubar o idoso na própria funerária antes de transferi-lo para a Santa Casa de Presidente Prudente, onde ele permanece sob ventilação mecânica.
A família de Juraci descobriu o grave erro médico de forma inusitada e chocante. De acordo com uma neta do idoso, parentes estavam na funerária para entregar as roupas que seriam vestidas no corpo durante o velório quando notaram uma demora incomum. Em seguida, receberam uma ligação da polícia informando que o aposentado estava vivo e internado em outro hospital. Inicialmente, os familiares chegaram a acreditar que se tratava de um trote.
Diante da gravidade da situação, a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar a regularidade da constatação do óbito e a possível ausência de providências da equipe médica frente a um risco concreto à vida. Os investigadores já requisitaram os prontuários médicos e programaram a coleta de depoimentos de testemunhas, além de uma análise técnica por meio de perícia médica. Em nota, a Santa Casa de Presidente Bernardes informou que tomou ciência do episódio e instaurou procedimentos internos para apurar os fatos, colocando-se à disposição para os esclarecimentos necessários.
