Grandes redes de supermercados e farmácias adotam fim da escala 6x1
Mudança busca reduzir a rotatividade de funcionários; companhias mantêm carga de 44 horas semanais distribuída em cinco dias de trabalho

Grandes redes de supermercados e farmácias do Brasil começaram a antecipar o fim da escala de trabalho 6x1, substituindo o modelo tradicional pela jornada 5x2, que garante dois dias de folga semanais. A mudança busca tornar as vagas mais atrativas e reduzir a rotatividade de funcionários, em meio à forte concorrência no mercado de trabalho e à repercussão do debate nacional sobre o tema.
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Apesar da concessão de um dia adicional de descanso, a maioria das companhias optou por preservar a carga horária total de 44 horas semanais, reorganizando os turnos. Na prática, redes como a RD Saúde, que levou o novo formato para mais de 3,5 mil unidades da Raia e Drogasil, e o Grupo DPSP, das bandeiras Drogaria São Paulo e Pacheco, redistribuíram essas horas ao longo de cinco dias. No setor supermercadista, o grupo paulista Savegnago adotou estratégia semelhante, estendendo o expediente diário para cerca de oito horas e 48 minutos para compensar a folga extra.
A transição também ocorre de maneira gradual em diversas outras empresas do setor varejista pelo país. Grupos como o Extrabom, no Espírito Santo, e o Supernosso, em Minas Gerais, iniciaram testes em unidades específicas e já projetam a expansão do modelo após registrarem melhora no clima organizacional e maior interesse de candidatos pelas vagas. Redes como Coop, Farmácias São João e Supermercados Pague Menos também estão na fase de implantação progressiva ou de avaliação de desempenho da operação em parte de suas lojas.
O movimento do setor privado ganha força enquanto tramita no Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala 6x1 por lei. O texto, que estabelece uma jornada máxima de 40 horas semanais em cinco dias de trabalho sem redução salarial, foi aprovado pela Câmara dos Deputados em maio de 2026 e chancelado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado no início de setembro. Agora, a matéria aguarda votação no plenário, onde precisará do apoio de pelo menos 49 senadores em dois turnos para ser promulgada. O projeto prevê uma transição de até 14 meses para as adequações definitivas.
Com informações da Banda B, parceira do TNOnline
