Geórgia elege democrata Keisha Lance Bottoms como a primeira governadora negra do país
Aos 56 anos, democrata derrotou o republicano Rick Jackson e encerrou um domínio de mais de duas décadas do partido adversário no estado

A democrata Keisha Lance Bottoms, de 56 anos, fez história na política norte-americana ao ser eleita, nesta terça-feira (3), a primeira governadora negra dos Estados Unidos. Com a vitória sobre o empresário republicano Rick Jackson na Geórgia, ela também se consagra como a primeira mulher a assumir o comando do estado, encerrando um jejum do Partido Democrata no cargo que perdurava desde 1998.
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A confirmação do resultado, atestada pela Associated Press (AP), representa uma guinada no cenário político local, dominado pelos republicanos há mais de duas décadas. Bottoms, que é ex-prefeita da capital Atlanta, ocupará a cadeira deixada por Brian Kemp, que estava impedido de disputar um terceiro mandato consecutivo. Na corrida eleitoral, a democrata conseguiu superar Jackson, um adversário que chegou a injetar mais de US$ 200 milhões da própria fortuna na campanha.
Após o anúncio da vitória, Bottoms comemorou o feito inédito e ressaltou o compromisso de governar para toda a população georgiana. Durante a disputa, suas principais bandeiras envolveram o fortalecimento da economia estadual e a promessa de fazer oposição direta às políticas do presidente Donald Trump. O triunfo da democrata ganha contornos ainda mais expressivos diante do peso histórico da Geórgia, um estado profundamente marcado pelo passado de escravidão e segregação racial, mas que também foi o berço do líder dos direitos civis Martin Luther King Jr. e, mais recentemente, palco de intensos protestos antirracistas motivados pela morte do jovem negro Ahmaud Arbery, em 2020.
Até a eleição da ex-prefeita, a história política dos Estados Unidos registrava apenas três homens negros eleitos para governos estaduais, todos também filiados ao Partido Democrata. O pleito histórico na Geórgia ocorreu no contexto das disputas de meio de mandato no país, que movimentaram o eleitorado norte-americano para a renovação de cadeiras no Senado e a definição de todas as vagas na Câmara dos Representantes.
