Gêmeas siamesas são separadas após mais de 40 horas de cirurgia com auxílio de IA; veja
Os especialistas utilizaram ferramentas de inteligência artificial, realidade aumentada e modelos tridimensionais dos crânios das crianças

As irmãs Mercy e Goodness, nascidas na Nigéria com os crânios unidos, passaram por uma complexa cirurgia de separação que durou cerca de 40 horas e mobilizou especialistas de diferentes países. O procedimento foi realizado quando as meninas tinham 1 ano e 7 meses de idade e contou com recursos tecnológicos de última geração para aumentar as chances de sucesso.
A operação envolveu uma equipe de 12 profissionais ligados ao Hospital Great Ormond Street e foi acompanhada por mais de 50 médicos de várias partes do mundo. Para o planejamento cirúrgico, os especialistas utilizaram ferramentas de inteligência artificial, realidade aumentada e modelos tridimensionais dos crânios das crianças, desenvolvidos com apoio de laboratórios britânicos.
Segundo os médicos, a utilização dessas tecnologias permitiu simular diferentes cenários antes da intervenção, contribuindo para a definição da abordagem mais segura e eficiente.
Outro recurso empregado no tratamento foi a implantação de expansores de silicone sob a pele da cabeça das meninas. O material ajudou a estimular o crescimento de tecido suficiente para a reconstrução dos crânios após a separação.

Condição rara e de alto risco
Casos de gêmeos siameses unidos pelo crânio estão entre os mais raros e complexos da medicina. De acordo com especialistas, muitos bebês com essa condição não sobrevivem ao nascimento ou aos primeiros dias de vida. Apenas uma pequena parcela consegue chegar à idade adequada para uma cirurgia de separação.
Mercy e Goodness foram encaminhadas ainda bebês para a instituição beneficente Gemini Untwined, organização britânica especializada no tratamento de crianças com essa condição. As irmãs chegaram ao local aos seis meses de vida.
Os médicos envolvidos no caso consideram a sobrevivência das meninas um feito extraordinário, já que elas nasceram com os crânios conectados e posicionados em sentidos opostos.
Recuperação completa

O fundador da Gemini Untwined e integrante da equipe médica, o professor Noor ul Owase Jeelani, destacou que a experiência adquirida em procedimentos semelhantes e o uso de técnicas inovadoras foram determinantes para o resultado alcançado.
Segundo ele, a cirurgia representa uma oportunidade para que as meninas possam viver uma infância com mais independência e qualidade de vida.
Após a conclusão do tratamento, Mercy e Goodness receberam alta e retornaram para casa. Conforme os médicos, ambas apresentaram recuperação satisfatória e já se recuperaram totalmente da cirurgia.
Jeelani também ressaltou a importância da cooperação internacional no desenvolvimento de procedimentos médicos complexos, destacando que a troca de conhecimento entre especialistas de diferentes regiões foi fundamental para o sucesso da operação.
Informações: Metrópoles
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