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Facção venezuelana Tren de Aragua é alvo de operação policial em Roraima e outros Estados

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A Polícia Civil do Estado de Roraima realizou nesta terça-feira, 16, uma operação contra a Tren de Aragua, facção criminosa transnacional da Venezuela que age no Norte do Brasil.

Segundo a polícia, o objetivo da operação é desarticular os braços operacional e financeiro da organização. Ela é considerada como uma das mais perigosas em atuação na América Latina. E, por este motivo, de acordo a polícia brasileira, a intenção da operação é impedir também o fortalecimento e a expansão da facção em Roraima e em outros Estados.

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Segundo as autoridades, o grupo venezuelano fornece armamento de guerra, como metralhadoras calibre .50 e lança-granadas, para organizações criminosas do Brasil, como o Comando Vermelho (CV). O esquema abastece grupos do CV no Amazonas e no Rio de Janeiro.

A operação, batizada de Rota do Norte, foi realizada em Roraima, Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e no Paraná. Foram cumpridos 25 mandados de prisão preventiva e mais de 30 de busca e apreensão contra investigados por envolvimento com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas.

A investigação é conduzida pela Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas Organizadas (Draco), com o apoio da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim) e do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

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Atuação de facções no Norte do País

Como mostrou o Estadão, no ano passado, mais de um quarto das cidades da Amazônia Legal hoje são dominadas pelo Comando Vermelho (CV). A Região Norte do País é considerada estratégica pela possibilidade de importar rapidamente cargas de cocaína e skunk de nações vizinhas, como Peru e Colômbia, além de permitir que as mesmas rotas sejam usadas para crimes como o garimpo ilegal, em fenômeno conhecido como o "narcogarimpo".

Segundo o levantamento Cartografias da Violência na Amazônia, feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com entidades como os institutos Mãe Crioula e Clima e Sociedade, ao todo, são 17 facções com atuação na Amazônia Legal.

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Além do CV e do Primeiro Comando da Capital (PCC), siglas nordestinas, como o Bonde do Maluco (BDM), da Bahia, e os Guardiões do Estado (GDE), do Ceará, atuam na região.

A lista inclui ainda três organizações estrangeiras: o Estado Maior Central (EMC) e a Ex-Farc Acácio Medina, da Colômbia, além do Trem de Aragua, da Venezuela.

"A expansão das facções criminosas constitui um dos principais desafios à segurança pública, à governança territorial e à soberania nacional na Amazônia. Observa-se, nos últimos anos, um processo de interiorização e diversificação das dinâmicas criminais, com a consolidação de rotas estratégicas para o tráfico de drogas, armas, minérios e madeira, conectando a região aos mercados nacional e internacional", diz trecho do estudo

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Tren da Aragua

A facção criminosa Tren de Aragua surgiu na prisão de Tocorón, no Estado de Aragua, região Centro-Norte da Venezuela, em 2014. Hoje, ela atua em países como Colômbia, Bolívia, Peru e Chile. Os crimes realizados pelo grupo incluem sequestro, extorsão, mineração ilegal e tráfico de drogas e de pessoas.

No ano passado, os Estados Unidos classificaram o grupo como organização terrorista estrangeira. Essa é a mesma designação aplicada ao PCC e ao Comando Vermelho no mês passado.

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Os EUA ainda acusam a organização venezuelana de ter mantido vínculos com o governo de Nicolás Maduro, que atualmente aguarda julgamento na Justiça americana por narcoterrorismo, tráfico de drogas e porte ilegal de armas.

No sexta-feira passada, 12, em uma operação militar americana em coordenação com as autoridades da Venezuela, o chefe do Tren de Aragua, Niño Guerrero, foi morto.

Após a operação, um alto funcionário do Pentágono afirmou que a morte do líder da quadrilha "envia uma mensagem clara à América Latina" sobre o compromisso do governo do presidente Donald Trump de combater o narcotráfico.

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