Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--
Cotidiano
publicidade
COTIDIANO

Estudo lista 5 estratégias para aumentar as taxas de vacinação

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

Criado em 1973, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) ajudou o Brasil a controlar doenças que, durante décadas, representaram uma ameaça à saúde pública. A iniciativa tornou o País uma referência internacional em vacinação, mas esse cenário começou a mudar nos últimos anos.

A partir de 2016, o Brasil passou a registrar uma queda nas coberturas vacinais, tendência que se agravou durante a pandemia de covid-19. Segundo especialistas, a taxa de imunização de um conjunto de vacinas básicas caiu de 92% em 2015 para 68% em 2021.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Associe sua marca ao jornalismo sério e de credibilidade, anuncie no TNOnline.

De acordo com o Ministério da Saúde, a redução está associada a diferentes fatores, como dificuldades de acesso aos serviços de saúde, desinformação, falta de confiança nas vacinas e menor percepção do risco de doenças que podem ser prevenidas pela imunização.

A recuperação começou em 2022, especialmente na vacinação infantil. Segundo o ministério, 15 das 16 vacinas do calendário infantil registraram aumento de cobertura em 2024, com crescimento médio de 17 pontos percentuais em relação a 2022. Apesar do avanço, o Brasil chega a 2026 com parte dos imunizantes ainda abaixo das metas estabelecidas pelo PNI.

A importância de recuperar a cultura da imunização será tema da entrevista "Prevenir é financiar o futuro: como recuperar a cultura de imunização", com Rosana Richtmann, infectologista e presidente da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do Hospital e Maternidade Santa Joana e da Pro Matre Paulista, durante o Summit Saúde 2026.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O evento será promovido pelo Estadão na próxima terça-feira, 27, em São Paulo. A entrada é gratuita e, para participar, basta preencher o formulário de inscrição disponível aqui.

Medidas para incentivar a vacinação

Um estudo publicado em 2026 na revista científica Epidemiologia e Serviços de Saúde reuniu cinco estratégias que podem ajudar a reduzir a hesitação vacinal. O termo é usado para descrever a resistência, o adiamento ou a recusa em receber vacinas, mesmo quando elas estão disponíveis.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Desenvolvida em parceria entre a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e a Fiocruz Mato Grosso do Sul, a pesquisa analisou 48 revisões sistemáticas publicadas entre 2012 e 2024. O objetivo foi identificar iniciativas capazes de orientar políticas públicas e melhorar a adesão à vacinação no Brasil.

Entre as ações identificadas pelos pesquisadores estão:

1 - Melhorar a comunicação com a população: criar campanhas com linguagem acessível e adaptadas a diferentes públicos, utilizando redes sociais, vídeos, aplicativos e contato direto. Envolver lideranças comunitárias também pode ajudar a esclarecer dúvidas e fortalecer a confiança nas vacinas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

2 - Capacitar os profissionais de saúde: oferecer formação contínua para que médicos, enfermeiros e outros profissionais possam orientar a população e esclarecer dúvidas sobre vacinas, utilizando recursos como treinamentos, lembretes, aplicativos e simulações.

3 - Facilitar o acesso às vacinas: ampliar os horários dos postos de saúde, oferecer unidades móveis e levar a vacinação a escolas, empresas e centros comunitários, reduzindo dificuldades de deslocamento e outras barreiras à imunização.

4 - Combater a desinformação: ampliar a atuação dos órgãos oficiais nas redes sociais, divulgar informações confiáveis, checar conteúdos falsos e monitorar a circulação de notícias enganosas sobre vacinas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

5 - Criar estratégias específicas para gestantes: integrar a vacinação ao pré-natal, orientar sobre a segurança e os benefícios das vacinas para mãe e bebê e facilitar o acesso às doses, com ações educativas, mensagens de texto e vacinação em maternidades.

De acordo com Ana Paula da Costa Marques, professora de microbiologia do Instituto de Biociências da UFMS e primeira autora do artigo, é importante ressaltar que não existe uma solução única. "As evidências mostram que intervenções combinadas e multifacetadas funcionam melhor do que ações isoladas", afirma.

Desafios de aplicar as estratégias

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Embora a pesquisa apresente caminhos para combater a hesitação vacinal, a análise tem limitações. O estudo foi direcionado à população adulta em áreas urbanas e às gestantes, deixando de fora populações rurais, ribeirinhas e indígenas. Para Ana Paula, isso reforça a necessidade de desenvolver ações adaptadas às diferentes realidades brasileiras.

"Uma estratégia que funciona em um cenário pode não funcionar em outro", destaca a pesquisadora.

Segundo Ana Paula, os principais obstáculos para colocar essas medidas em prática incluem a falta de infraestrutura, os custos de implementação, as dificuldades de acesso à tecnologia e a necessidade de adaptação às condições locais. O desafio é garantir que as iniciativas cheguem à população sem ampliar as desigualdades.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

"Não adianta convencer alguém de que as vacinas são seguras se a pessoa não consegue chegar à unidade básica de saúde para ser vacinada", ressalta.

Vacinação é fundamental para evitar novos surtos

Manter a caderneta de vacinação atualizada é fundamental para evitar que doenças já controladas voltem a circular. O sarampo é um exemplo disso. Em 2019, o Brasil perdeu a certificação de eliminação da transmissão endêmica da doença, reconhecimento que só foi recuperado em novembro de 2024.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Apesar da conquista, novos casos continuam sendo registrados. Em 2026, até o momento, foram confirmadas 61 infecções. Para Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), não basta alcançar altas coberturas vacinais, é necessário que elas sejam homogêneas.

"De nada adianta o Estado, o País ou mesmo um grande município ter 90% ou 95% de cobertura vacinal se houver localidades com índices de 40%, 50% ou 60%. Esses bolsões de baixa cobertura funcionam como reservatórios de pessoas suscetíveis, favorecendo a ocorrência de casos de doenças", diz Kfouri.

Ele lembra que, quanto maior a parcela da população vacinada, menor o risco de que casos isolados deem origem a cadeias de transmissão, já que as pessoas imunizadas funcionam como uma barreira à propagação de vírus e outros agentes infecciosos, ajudando a evitar novos surtos.

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email
Adicionar como fonte preferida no Google

Últimas em Cotidiano

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV