Estátua do Diabo de 11 metros erguida no litoral gera debate sobre liberdade religiosa
Obra foi instalada em um templo de Quimbanda na praia da Taíba, respeitando todas as legislações ambientais e urbanísticas do município

O Ceará passou a abrigar uma estátua do Diabo de 11 metros de altura, instalada em um sítio na praia da Taíba, no município de São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana de Fortaleza. O monumento, que teve um custo superior a R$ 100 mil, fica alocado dentro de uma propriedade privada onde funciona o templo religioso Palácio Estrela Negra da Quimbanda. A idealizadora da obra, que se identifica como Mãe Rainha das Trevas, afirma que esta é a maior imagem dedicada à entidade no mundo, embora não haja um registro oficial que ateste o recorde.
- LEIA MAIS: Vídeo mostra Toyota Corolla invadindo loja no centro de Apucarana
A construção foi viabilizada integralmente com recursos próprios da líder religiosa e inaugurada no último dia 25 de julho, em uma cerimônia que celebrou os 29 anos de fundação de sua casa religiosa. De acordo com a Prefeitura de São Gonçalo do Amarante, a instalação do templo e do monumento ocorreu em total conformidade com as legislações ambientais e urbanísticas vigentes. O município destacou que as licenças e o alvará de construção foram emitidos legalmente após a autorização da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Mudança do Clima, uma vez que a propriedade está situada na Área de Proteção Ambiental das Dunas do Litoral Oeste.

Apesar do trâmite legal da obra e de ser um espaço particular, a inauguração gerou grande repercussão e polêmica nas redes sociais. Com quase 800 mil seguidores em seu perfil no Instagram, a Mãe Rainha das Trevas relatou que a publicidade do ato atraiu tanto elogios de pessoas que compartilham da mesma fé quanto ataques motivados por intolerância religiosa. Em resposta às críticas, a líder religiosa defendeu publicamente o direito constitucional à liberdade de culto no Brasil, enfatizou a laicidade do Estado e cobrou respeito. Ela argumentou que as entidades marginalizadas por outras religiões são vistas em seu culto sob uma perspectiva de auxílio, acolhimento e amor.
As práticas realizadas no templo seguem as diretrizes da Quimbanda, que se consolida como um culto ancestral de matriz africana focado na evolução espiritual por meio da veneração de exus e pombagiras. Para os praticantes dessa vertente, a reencarnação é compreendida como um castigo espiritual atrelado às dores mundanas. O principal objetivo de seus adeptos é evoluir o suficiente para não precisar retornar ao plano físico após o desencarne. O Palácio Estrela Negra da Quimbanda possui portas abertas ao público mensalmente para rituais religiosos e promove ações de impacto social na região, como a doação de toneladas de carne e a realização de uma festa anual com entrega de brinquedos no Dia das Crianças.
